O governo do Reino Unido pediu à Fifa, nesta quinta-feira (16), a abertura de uma investigação contra a seleção da Argentina após jogadores exibirem uma faixa com a frase “Las Malvinas son Argentinas” na comemoração da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo de 2026, em Atlanta (EUA).
O secretário de Negócios e Comércio britânico, Peter Kyle, afirmou que a Fifa deve conduzir uma apuração “exaustiva” sobre o incidente. O governo britânico considera a exibição uma violação das regras de neutralidade da competição. A faixa foi entregue por torcedores nas arquibancadas e erguida pelos atletas no gramado logo após o apito final, enquanto a equipe comemorava a classificação para a decisão.
A manifestação reacende a disputa territorial pelas Ilhas Malvinas — Falklands para os britânicos —, que levou os dois países a um conflito armado em 1982. O regulamento da Copa do Mundo proíbe expressamente mensagens políticas, ideológicas ou religiosas em campo e durante as celebrações.
Disputa histórica e regra da Fifa
A Argentina reivindica a soberania sobre o arquipélago do Atlântico Sul desde o século XIX. Em 1982, o regime militar argentino ocupou as ilhas, desencadeando uma guerra de 74 dias que terminou com vitória britânica e a morte de 649 argentinos e 255 britânicos. Desde então, manifestações sobre o tema são recorrentes em confrontos esportivos entre os dois países, especialmente em Copas do Mundo.
A Fifa, em seu código disciplinar, veta qualquer tipo de propaganda política em campo. A entidade máxima do futebol ainda não se manifestou sobre o pedido britânico, e a Associação do Futebol Argentino (AFA) também não comentou o episódio. O silêncio das duas instituições mantém em aberto a possibilidade de punição.
Próximos passos e possíveis sanções
O pedido do Reino Unido será analisado pela Comissão Disciplinar da Fifa, que pode abrir um processo formal. As punições previstas no regulamento variam de advertência e multa até a suspensão de jogadores ou da própria seleção, mas não há decisão até o momento. A Argentina enfrenta a Espanha na final da Copa, no próximo domingo, em Nova York, e busca o bicampeonato consecutivo — venceu a Copa de 2022 —, enquanto a Espanha tenta o segundo título mundial.
O código disciplinar da Fifa estabelece que manifestações políticas em campo são consideradas infrações e podem ser punidas com sanções que vão desde advertências até a exclusão da competição. A decisão cabe à Comissão Disciplinar, que ainda não se pronunciou.
A Fifa já aplicou sanções disciplinares em outras ocasiões recentes — em junho, a entidade suspendeu um transfer ban do Botafogo, conforme mostrou o PIRANOT.
Até a publicação, a Fifa não havia se manifestado sobre o pedido, e a AFA permanecia em silêncio.











