sexta-feira, 17 de julho de 2026
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Economia

EUA e Austrália criam fundo de US$ 2 bi para minerais críticos e desafiam hegemonia chinesa

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O fundo prioriza o gálio, metal essencial para semicondutores e defesa, cuja produção global é 90% controlada pela China.
  • Em 2025, Pequim restringiu exportações de gálio e germânio, elevando preços e acelerando a busca ocidental por alternativas.
  • O Brasil rejeitou exigência dos EUA para limitar investimento estrangeiro em terras raras, o que resultou em tarifa de 25% sobre exportações.
  • A mineradora Alcoa tem projeto de extração de gálio na Austrália Ocidental, mas regras de desembolso do fundo ainda não foram detalhadas.

Os governos dos Estados Unidos e da Austrália anunciaram nesta sexta-feira (17) um fundo conjunto de US$ 2 bilhões para financiar projetos de minerais críticos, em uma ofensiva para reduzir a dependência global da China no setor.

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O aporte amplia o apoio financeiro a mineradoras australianas como parte de um acordo para fortalecer a cadeia de suprimentos desses insumos. As ações de empresas do setor subiram após o anúncio, refletindo a expectativa de novos investimentos.

O foco principal é a produção de gálio, metal essencial para a fabricação de semicondutores e sistemas de defesa. A mineradora Alcoa tem um projeto de extração do minério na refinaria de Wagerup, na Austrália Ocidental, mas o cronograma de desembolso e as regras de partilha do fundo ainda não foram detalhados pelos governos.

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A China controla mais de 70% da extração e do refino global de terras raras e minerais críticos, segundo dados do Serviço Geológico dos EUA (USGS). A concentração do mercado nas mãos de Pequim preocupa governos ocidentais, que temem interrupções no fornecimento para indústrias de tecnologia e defesa. O domínio chinês se estende a mais de 90% da produção global de gálio, metal que a Alcoa pretende extrair na Austrália. Em 2025, Pequim restringiu as exportações de gálio e germânio, elevando os preços e acelerando a busca por alternativas.

O anúncio ocorre um dia após o Brasil rejeitar exigências dos EUA para limitar investimentos estrangeiros em terras raras, conforme afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, na quarta-feira (16).

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Pressão sobre o Brasil e tarifaço de 25%

As negociações entre Brasil e EUA incluíram pedidos para que o país zerasse tarifas de importação sobre bens industriais e abrisse o mercado ao setor automotivo, além de restringir o acesso de rivais a minerais críticos. O governo brasileiro rejeitou as condições, o que resultou na imposição de uma tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras para os EUA, em vigor desde julho.

O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo e é alvo de disputa entre potências. A recusa em atender às exigências americanas ocorre em um momento em que o governo brasileiro discute um marco regulatório para o setor.

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A iniciativa de Washington e Camberra se insere em um contexto de acirramento da competição por recursos minerais. Em junho, o PIRANOT revelou que o Pentágono levou ao Congresso um pedido de US$ 80 bilhões para cobrir os custos da guerra com o Irã, evidenciando a pressão sobre as cadeias de suprimentos militares.

Projeto de gálio e lacunas no acordo

O gálio é um metal crítico usado na fabricação de chips e equipamentos de defesa. A Alcoa planeja extraí-lo na refinaria de Wagerup, mas não há confirmação oficial sobre o valor que o projeto receberá do novo fundo. Os governos dos EUA e da Austrália não divulgaram a lista completa de projetos beneficiados nem o cronograma de desembolso.

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A ausência de detalhes alimenta incertezas sobre a capacidade do acordo de alterar o domínio chinês no curto prazo. A China responde por mais de 90% da produção global de gálio, segundo o USGS.

Até a publicação desta reportagem, não havia comunicado oficial da Alcoa ou dos governos envolvidos sobre os valores destinados à refinaria de Wagerup. O PIRANOT continuará acompanhando os desdobramentos do fundo e seus impactos no mercado global de minerais críticos.


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