O casamento do ex-sócio do Grupo Fictor Rafael Paixão, realizado no último sábado (11) em Mogi das Cruzes (SP) com shows de Mumuzinho e Suel, provocou revolta entre os 12 mil credores da empresa, que está em recuperação judicial com dívidas de R$ 4,3 bilhões.
Mumuzinho publicou stories no Instagram durante a festa com a mensagem “Dia de celebrar a união de Rafa & Mari”. Nas publicações, credores do Grupo Fictor deixaram comentários protestando contra a ostentação enquanto aguardam uma solução para os débitos. O Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial em 1º de fevereiro de 2026, após a frustrada tentativa de compra do Banco Master.
A revolta ganhou corpo nas redes sociais e foi noticiada pelo Valor Econômico nesta quarta-feira (15). Não há registro de ação judicial específica contra os gastos da festa até o momento. Rafael Paixão não se manifestou publicamente sobre o evento.
Recuperação judicial de R$ 4,3 bilhões
O Grupo Fictor tornou-se conhecido no mercado financeiro ao tentar adquirir o Banco Master, negócio que não avançou. Em 1º de fevereiro, a empresa formalizou o pedido de recuperação judicial, declarando dívidas de R$ 4,3 bilhões. O PIRANOT revelou em junho que os credores da Fictor enfrentam um deságio de até 95% caso não seja obtido um financiamento de R$ 150 milhões.
O processo envolve cerca de 12 mil credores, entre pessoas físicas e jurídicas. A dívida de R$ 4,3 bilhões equivale a aproximadamente 19,5 milhões de contas de luz médias de R$ 220, valor que ilustra a magnitude do rombo.
Impacto e debate sobre blindagem patrimonial
A ostentação durante um processo de recuperação judicial reacende o debate sobre a separação patrimonial entre sócios e empresas. Embora a legislação permita que sócios mantenham bens pessoais, a exposição de gastos elevados pode gerar questionamentos sobre eventual ocultação de patrimônio, segundo especialistas ouvidos pelo Valor.
Para credores, a festa é um símbolo da disparidade entre a situação da empresa e o estilo de vida de seus ex-sócios. Nas redes sociais, mensagens de indignação contrastavam a celebração com a espera por pagamento. Não há informações públicas sobre a origem dos recursos que custearam a festa, e o valor total do evento não foi divulgado.
Próximos passos
O processo de recuperação judicial do Grupo Fictor segue em tramitação na Justiça. Os credores aguardam a apresentação de um plano de pagamento. Até o momento, não há notícia de investigação do Ministério Público ou de bloqueio judicial relacionado aos gastos do casamento.
A ausência de manifestação de Rafael Paixão e a falta de clareza sobre o financiamento da festa mantêm a tensão entre os credores, que cobram transparência e agilidade na recuperação dos valores devidos.











