A varejista chinesa de moda rápida Shein recebeu aprovação da Comissão Reguladora de Valores da China (CSRC) para realizar sua oferta pública inicial de ações (IPO) na bolsa de Hong Kong, planejando captar até US$ 3 bilhões até agosto, segundo fontes próximas às negociações.
O aval foi concedido na sexta-feira (10) e divulgado em comunicado oficial do órgão regulador. A empresa está agora agendada para uma audiência com o comitê de listagem da Bolsa de Hong Kong na quinta-feira (16), etapa crucial para a definição do cronograma de estreia no mercado de capitais.
O valor de US$ 3 bilhões refere-se aos recursos que a Shein pretende levantar com a venda de ações, e não ao valuation total da companhia. Estimativas de mercado apontam que a varejista pode ser avaliada entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões, um recuo significativo em relação aos US$ 66 bilhões alcançados em 2023, durante rodada de captação privada.
A rota até Hong Kong
A Shein tentou abrir capital em Nova York e Londres nos últimos anos, mas enfrentou forte escrutínio regulatório e político sobre sua cadeia de suprimentos e origem chinesa. Em 2024, a empresa desistiu do IPO em Londres após atrasos na autorização de Pequim, redirecionando os esforços para Hong Kong, praça que oferece maior proximidade com os reguladores chineses.
A aprovação da CSRC ocorreu um dia após a China anunciar novas medidas para incentivar empresas de varejo qualificadas a acessar os mercados de capitais, sinalizando um ambiente mais favorável para listagens domésticas. A concorrência com a Temu, outra gigante do ultra fast-fashion, também pressiona a Shein a buscar capital para expandir operações e defender participação de mercado.
Impacto no mercado global e no Brasil
O IPO da Shein é visto como um termômetro para a retomada de grandes ofertas de ações no mercado asiático, após um período de baixa atividade. A listagem pode movimentar o setor de tecnologia e varejo, além de influenciar a percepção de risco sobre empresas chinesas no exterior.
No Brasil, a operação é acompanhada de perto pelo varejo nacional, que enfrenta a concorrência agressiva da plataforma de moda. A Shein já responde por uma fatia relevante do comércio eletrônico de vestuário no país, e o aporte de capital pode acelerar investimentos em logística e marketing local. A movimentação ocorre em um momento de atenção aos mercados de capitais, como mostrou o PIRANOT ao revelar a corrida do BRB contra o prazo de capitalização.
Próximos passos
Após a audiência de quinta-feira, a Shein ainda precisará da aprovação final do comitê de listagem e da definição do prospecto definitivo. Se o cronograma for mantido, as ações podem começar a ser negociadas no terceiro trimestre de 2026. A empresa não comentou oficialmente os planos, e os valores finais da oferta podem sofrer ajustes conforme a demanda dos investidores.
A estrutura societária controlada pelo fundador Sky Xu e o eventual desconto aplicado ao valuation em relação ao pico de 2023 permanecem como pontos de atenção para o mercado.











