Caminhoneiros iniciaram nesta segunda-feira (13) uma mobilização em áreas portuárias de São Paulo para pressionar o Senado a votar a Medida Provisória 1.343/2026, que trata do piso mínimo do frete rodoviário e perde a validade na quinta-feira (16) se não for aprovada.
O ato foi convocado por Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava). Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele orientou a categoria a interromper atividades nos portos a partir da 0h e cobrou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a inclusão da proposta na pauta de votações.
No início da manhã, a Polícia Militar de São Paulo informou que não havia registro de bloqueios nem impacto no trânsito. Em Santos, no litoral paulista, manifestantes se concentravam na Rua Augusta Scaraboto em um ato pacífico, sem interdição relevante nas vias de acesso.
Prazo curto aumenta pressão sobre Alcolumbre
A MP 1.343/2026 precisa ser votada pelo Senado até 16 de julho. Se isso não ocorrer, o texto caduca e perde efeito, o que esvazia uma das principais reivindicações da categoria neste momento. A cobrança recai diretamente sobre Alcolumbre porque cabe ao presidente da Casa organizar a pauta do plenário.
Chorão afirmou que a Abrava tentou abrir diálogo com o comando do Senado nas últimas semanas, mas não obteve retorno. A estratégia da entidade é usar a paralisação nos portos como vitrine de pressão política, em um tema que tem forte peso simbólico desde a greve de 2018, quando caminhoneiros pararam o país por 11 dias e colocaram o frete no centro da agenda econômica.
Portos elevam o peso econômico do protesto
A escolha dos portos amplia o impacto potencial da mobilização. São Paulo concentra parte decisiva da logística nacional, com reflexo direto sobre exportações, importações, circulação de insumos e abastecimento. Uma adesão maior da categoria poderia criar gargalos no escoamento de cargas e reacender a preocupação de empresas e governo com interrupções na cadeia de transporte.
Por enquanto, porém, o movimento começa com alcance limitado. A ausência de bloqueios nas primeiras horas reduz o efeito imediato sobre o trânsito e as operações, mas não elimina o risco político: a paralisação foi desenhada para crescer conforme o prazo da MP se aproxima do fim.
Votação precisa ocorrer até quinta-feira
O Senado ainda não incluiu a MP 1.343/2026 na pauta. Sem votação até quinta-feira, o Congresso terá de reconstruir a negociação por outro caminho legislativo, enquanto entidades de caminhoneiros tendem a elevar a pressão sobre parlamentares e sobre o governo.
O próximo passo, portanto, está nas mãos de Alcolumbre: pautar a medida antes da caducidade ou deixar que a disputa sobre o frete volte a alimentar novas mobilizações da categoria nas estradas e nos portos.











