segunda-feira, 13 de julho de 2026
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Política

Apoio de Lula a rival do pai de Motta abre crise com presidente da Câmara

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O vídeo de Lula exaltando Veneziano foi gravado em 5 de junho e divulgado sem aviso prévio a Motta.
  • Aliados de Motta interpretaram o vídeo como provocação e sinal de que o Planalto não será neutro na disputa paraibana.
  • O incômodo levou Motta a acelerar a tramitação da PEC da maioridade penal, pauta indesejada pelo governo.
  • A tensão expõe a dependência do Planalto em relação a Motta para aprovar projetos no Congresso.

O apoio de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) abriu uma crise política com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em plena articulação do governo para manter sua pauta andando no Congresso.

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Motta se queixou a aliados da atuação de Lula na Paraíba depois que o presidente gravou um vídeo em favor de Veneziano, adversário direto de Nabor Wanderley (Republicanos), pai do deputado, na disputa por uma vaga no Senado em 2026. No vídeo, gravado em 5 de junho, Lula chama Veneziano de “honesto e comprometido” e reforça publicamente a aliança com o emedebista.

O gesto incomodou o grupo político do presidente da Câmara não apenas pelo conteúdo, mas pelo momento. A Paraíba elegerá dois senadores em 2026, e Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos, tenta se viabilizar justamente contra um nome que já ocupa cadeira no Senado desde 2019 e agora recebe o aval explícito do presidente da República.

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Disputa local entra na relação com o Planalto

A aproximação entre Lula e Veneziano não surpreende no MDB, mas a formalização do apoio em vídeo foi lida por aliados de Motta como um recado de que o Planalto não pretende ficar neutro na eleição paraibana. Para o entorno do presidente da Câmara, a gravação ignorou o peso institucional de Motta na condução da agenda do governo na Casa.

O episódio leva uma disputa estadual para o centro da relação entre Executivo e Legislativo. Motta chegou ao comando da Câmara em 2025 com força própria e tornou-se peça decisiva para o ritmo de votações. Mesmo quando não rompe com o governo, o presidente da Casa controla a pauta, escolhe relatores e define a velocidade de projetos que interessam ao Palácio do Planalto.

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A insatisfação também ocorre num momento em que o governo tenta preservar apoio para medidas econômicas e votações de interesse fiscal antes das próximas janelas decisivas do calendário legislativo. Sem o presidente da Câmara engajado, projetos podem perder prioridade, relatórios podem demorar e temas incômodos ao Planalto podem ganhar espaço.

Motta já dá sinais de independência

O mal-estar com Lula se soma a movimentos recentes de Motta que acenderam alerta no governo. Em 8 de julho, ele designou o deputado Delegado Ramagem (PL-RJ) para relatar a proposta de emenda à Constituição que reduz a maioridade penal, tema rejeitado pelo Planalto e caro à oposição.

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A escolha de um parlamentar do PL para conduzir uma pauta sensível foi interpretada nos bastidores como demonstração de autonomia do presidente da Câmara. Não significa obstrução formal à agenda governista, mas mostra que Motta tem instrumentos para impor custos políticos quando a relação com o Executivo azeda.

No caso da Paraíba, o cálculo é duplo. Lula preserva um aliado no Senado e fortalece o MDB num estado estratégico do Nordeste. Motta, por sua vez, precisa responder ao próprio grupo político e ao projeto eleitoral do pai, sem parecer submisso ao Planalto justamente quando preside a Casa responsável por votar as prioridades do governo.

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A consequência imediata é uma negociação mais dura entre Planalto e Câmara. O apoio de Lula a Veneziano está mantido, e Motta segue no comando da pauta. A partir de agora, cada votação de interesse do governo tende a passar também pelo esforço de recompor a confiança com o presidente da Câmara.


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