A fabricante de suplementos Maxinutri projeta receita entre R$ 425 milhões e R$ 430 milhões em 2026, um salto de cerca de 25% sobre os R$ 345 milhões de 2025, impulsionada pela demanda de consumidores de canetas emagrecedoras. O plano de expansão, porém, foi divulgado com uma divergência de R$ 22 milhões nos investimentos: enquanto o Valor Econômico reportou R$ 45 milhões para a nova fábrica, a Exame informou um aporte total de R$ 67 milhões, que inclui também um centro logístico.
O valor global de R$ 67 milhões foi confirmado ao PIRANOT pela própria Maxinutri. Desse total, R$ 45 milhões serão destinados à construção de uma unidade fabril em Pinhais (PR) e R$ 22 milhões a um centro de distribuição em Curitiba, detalhou o CEO Fernando Ferdinandi. A diferença entre os números decorre de o primeiro veículo ter noticiado apenas a parcela industrial, sem mencionar o investimento logístico.
A projeção de faturamento se apoia no crescimento de dois dígitos da linha de produtos voltada a quem usa medicamentos à base de GLP-1 — as canetas emagrecedoras. Nos últimos 12 meses, a receita desse segmento específico avançou mais de 10%, informou a empresa. Para 2027, a Maxinutri já estima alcançar R$ 500 milhões.
A força do mercado de GLP-1
O movimento da Maxinutri reflete uma transformação mais ampla no setor de saúde. O mercado farmacêutico brasileiro faturou R$ 160,7 bilhões em 2024, alta nominal de 12,8%, segundo o Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico, da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) da Anvisa. As canetas emagrecedoras, sozinhas, movimentaram cerca de R$ 10 bilhões em 2025, conforme estimativa do Itaú BBA.
Esse aquecimento tem levado fabricantes de suplementos a adaptar portfólios. A Maxinutri, sediada no Paraná, viu na demanda por vitaminas e proteínas para pacientes em tratamento com GLP-1 uma avenida de crescimento. A empresa, que começou com R$ 80 mil e 70 metros quadrados, hoje projeta um faturamento que a coloca entre as maiores do setor no país.
Expansão industrial e próximos passos
O investimento de R$ 67 milhões faz parte de um ciclo de ampliação que inclui a nova fábrica e o centro logístico. A unidade industrial terá capacidade para produzir 1,5 milhão de unidades por mês, enquanto o centro de distribuição atenderá o Sudeste e o Centro-Oeste. A previsão é que as obras comecem ainda em 2026, com conclusão em 2027.
O aporte se soma a outros grandes investimentos noticiados pelo PIRANOT neste ano, como o plano de R$ 380 milhões do empresário Batalha para um complexo turístico no Rio Grande do Sul. A Maxinutri, por sua vez, ainda não detalhou como pretende enfrentar a concorrência de grandes farmacêuticas que também miram o segmento de suplementação pós-GLP-1 — lacuna que a empresa não respondeu até a publicação desta reportagem.











