A Polícia Federal afirma que o grupo ligado a Daniel Vorcaro oferecia até R$ 2 milhões a influenciadores por postagens contra o Banco Central, em uma ofensiva digital montada depois da liquidação extrajudicial do Banco Master.
A suspeita aparece na nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, que apura desdobramentos do caso Master. A PF associa as ofertas ao chamado Projeto DV e mira o publicitário Thiago Miranda Silva, apontado como articulador da campanha contra a autoridade monetária.
O valor citado pela investigação chega a R$ 2.000.000,00 por influenciador. Também aparece nos documentos uma multa rescisória de sigilo de R$ 800.000,00, dado que reforça a leitura da PF de que a ofensiva teria sido organizada em bases contratuais, e não apenas como manifestações isoladas nas redes sociais.
A frente mais sensível da investigação é definir se a proposta saiu do plano de contratação e virou pagamento efetivo. A decisão não atribui adesão individual a influenciadores ou jornalistas, mas sustenta a existência de tratativas, valores e uma estrutura voltada a desgastar a imagem do Banco Central.
Campanha mira o regulador após liquidação do Master
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. A partir dessa decisão, a Compliance Zero passou a examinar não apenas suspeitas de fraudes financeiras atribuídas à gestão de Vorcaro, mas também a reação organizada contra o órgão responsável pela supervisão do sistema financeiro.
Na leitura da PF, o Projeto DV teria usado a lógica das redes sociais para minar a credibilidade da autoridade monetária. A suspeita interessa ao Supremo porque desloca o caso para uma área de pressão institucional: a tentativa de influenciar a percepção pública sobre uma decisão regulatória que atingiu diretamente o Banco Master.
Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, está preso em Brasília e permanece no centro da Operação Compliance Zero. Em outra frente do mesmo caso, a PF já havia informado ao Supremo que negou uma nova tentativa de delação de Vorcaro, mantendo a investigação em curso sem acordo de colaboração.
O caso também se conecta a suspeitas anteriores sobre influência e acesso a informações sensíveis. Em junho, a PF apontou uma mesada de R$ 400 mil ligada a dados sigilosos do Banco Master, outro braço da investigação sobre possíveis vantagens indevidas no entorno da instituição.
Mandados miram publicitário ligado ao Projeto DV
A etapa autorizada pelo Supremo inclui mandados contra Thiago Miranda Silva. Ele é tratado pela PF como publicitário e articulador do Projeto DV, o núcleo que teria estruturado a contratação de influenciadores para atacar o Banco Central depois da intervenção no Master.
O Banco Central aparece como alvo institucional da campanha descrita pela PF, não como investigado. A suspeita é que a ofensiva digital tenha buscado enfraquecer a legitimidade da autoridade monetária no momento em que a liquidação do Master ampliava a pressão sobre Vorcaro e seus aliados.
A próxima etapa ocorre no Supremo, onde os documentos apreendidos e as manifestações das defesas devem definir se a investigação avança para medidas cautelares adicionais e se a PF consegue demonstrar pagamento efetivo, origem dos recursos e participação de outros envolvidos.










