O governo federal anunciou R$ 413,4 milhões para ações de adaptação climática da agricultura familiar no Semiárido dentro do programa Terra à Mesa Garantia-Safra Semiárido. A medida foi apresentada nesta terça-feira (30), no lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, no Palácio do Planalto.
A maior parte do dinheiro, R$ 319,8 milhões, deve ser executada por edital da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), com recursos do Fundo Garantia-Safra. O desenho anunciado prevê atendimento a 63,6 mil famílias, mas a chegada do recurso ao produtor ainda depende das regras do chamamento público, da escolha das entidades executoras e da definição dos projetos que serão apoiados nos estados do Semiárido.
Como o dinheiro deve chegar ao produtor
Na prática, o edital da Anater será o ponto decisivo para transformar o anúncio em assistência no campo. É nele que devem aparecer os critérios de seleção, as entidades responsáveis pela execução local, os prazos de liberação e a forma de acompanhamento dos projetos. Sem esse detalhamento, o agricultor familiar ainda não sabe quando poderá acessar o apoio nem quais iniciativas serão priorizadas.
O programa mira uma região em que a adaptação ao clima deixou de ser agenda ambiental abstrata e passou a ser condição de produção. O Semiárido convive com secas recorrentes, pressão sobre a água e instabilidade na renda rural. A promessa do Terra à Mesa é financiar medidas capazes de reduzir perdas, fortalecer a produção de alimentos e ampliar a resiliência de pequenas propriedades.
O anúncio também expõe a necessidade de transparência na execução. Os valores divulgados combinam montante total, número de famílias atendidas e referência de apoio por beneficiário, mas a compatibilização desses parâmetros dependerá do edital e da divisão final dos recursos. A parcela de R$ 93,6 milhões que completa o total de R$ 413,4 milhões também precisa ser detalhada para indicar se financiará assistência técnica, infraestrutura, custeio de projetos ou outra frente do programa.
Terra à Mesa entra no centro da política de segurança alimentar
O Terra à Mesa é tratado pelo governo como uma das principais apostas de segurança alimentar para 2026, com orçamento previsto de R$ 1,4 bilhão. A fatia destinada ao Semiárido coloca a agricultura familiar no centro da resposta à crise climática, especialmente em áreas nas quais a produção depende de manejo de água, recuperação de solo, assistência técnica e capacidade de atravessar períodos de estiagem.
A iniciativa se soma a outros anúncios recentes voltados ao campo, como compras públicas de alimentos da agricultura familiar e ações de regularização fundiária. O próximo passo concreto é a publicação do edital da Anater, que definirá quem executa os projetos, quais famílias serão atendidas e em que prazo o dinheiro começa a sair do papel.








