quarta-feira, junho 24
Publicidade
Mundo

Evo Morales suspende últimos bloqueios na Bolívia e diz que não é rendição

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Suspensão dos bloqueios é apresentada como temporária e não encerra a mobilização de apoiadores.
  • Protestos duram mais de 50 dias e tiveram maior pressão sobre rodovias em Cochabamba.
  • Governo Rodrigo Paz havia declarado emergência diante da paralisação nas estradas.
  • Morales não informou prazo para a trégua nem condições para encerrar os atos.

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales anunciou nesta segunda-feira (22) a suspensão temporária dos últimos bloqueios de rodovias que ainda persistiam no país, no departamento de Cochabamba, seu principal reduto político. Em assembleia com dirigentes cocaleros na localidade de Lauca Eñe, Morales classificou o recuo como uma trégua — e fez questão de ressaltar que não se trata de rendição.

Publicidade

“Por enquanto, faremos uma pausa. Isso não significa que estamos nos rendendo”, afirmou Morales, após atender a pedido de lideranças locais para declarar a trégua. Os bloqueios no restante do país já haviam sido encerrados, restando apenas as barreiras em Cochabamba, onde seguiam os últimos protestos que exigiam a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz.

A suspensão chega três dias após o governo decretar estado de exceção para pôr fim aos protestos, que se arrastavam desde o início de maio. Com a entrada em vigor da medida, o abastecimento na Bolívia começou a se normalizar após sete semanas de paralisação. Sindicatos, grupos indígenas e cultivadores de coca haviam bloqueado estradas em vários pontos do país contra Paz, a quem responsabilizam pela pior crise econômica da Bolívia em 40 anos.

Publicidade

Impedido de concorrer, Morales ameaça mobilização

Morales foi impedido de disputar as eleições gerais realizadas no último domingo. O ex-presidente, que governou a Bolívia de 2006 a 2019, alertou que seus apoiadores irão às ruas se a direita retornar ao poder após 20 anos. A declaração reforça que a trégua nas estradas foi apresentada como movimento tático, não como um acordo político com o governo.

Em declarações recentes, Morales elevou o tom contra a administração Paz e disse que o governo estaria “empurrando a Bolívia para uma guerra civil” com políticas que classificou como neoliberais e coloniais. A frase indica que o conflito entre o ex-presidente e o atual governo combina controle partidário, pressão social e disputa pela circulação nas rodovias do país.

Publicidade

Trégua não encerra crise política

A suspensão dos bloqueios reduz a pressão imediata sobre as estradas, mas não resolve a crise política. Morales não informou a duração da trégua nem as condições para que seus apoiadores retomem os protestos. A mobilização envolve as Seis Federações dos Trópicos de Cochabamba, grupo sindical ligado ao ex-presidente, e o movimento pode ser reativado a qualquer momento.

O governo boliviano sustenta sua resposta no estado de exceção decretado durante a fase mais aguda dos bloqueios. A medida indicou que La Paz tratava a paralisação das rodovias como problema de ordem pública e de abastecimento. A normalização do fluxo de mercadorias após o decreto foi o primeiro sinal de alívio após quase dois meses de tensão.

O próximo passo da crise depende de dois movimentos: a orientação das federações que apoiam Morales e a resposta do governo de Rodrigo Paz. Se os bloqueios forem retomados, a crise volta a pressionar estradas bolivianas e pode afetar deslocamentos regionais, incluindo rotas terrestres próximas à fronteira com o Brasil.


Publicidade