A inflação anual do Canadá acelerou para 3,2% em maio, o maior nível em 29 meses, impulsionada pela alta dos preços da gasolina ligada ao conflito com o Irã. O dado, divulgado nesta segunda-feira (22) pela Statistics Canada, superou as projeções de analistas consultados pela Reuters, que estimavam 3% para o mês.
Em abril, o índice anual estava em 2,8%, o que significa uma aceleração de 0,4 ponto percentual em apenas um mês. É a primeira vez, em quase dois anos e meio, que a inflação cheia do Canadá fica fora da faixa de meta de 1% a 3% perseguida pelo banco central.
Gasolina e o efeito do petróleo
O impacto da alta dos preços do petróleo bruto, decorrente das tensões com o Irã, continuou sendo repassado aos custos da gasolina em maio. Esse repasse foi o principal motor da aceleração do índice, recolocando a energia no centro da avaliação sobre o custo de vida no país.
Os preços dos combustíveis, contudo, já mostram uma forte reversão em junho, após a assinatura de um acordo provisório de paz entre Estados Unidos e Irã na semana passada. Segundo analistas, a queda da gasolina pode ajudar a aliviar o índice cheio da inflação neste mês.
Juros no centro do radar
A inflação mais forte limita o espaço para alívio monetário e afeta a leitura de investidores sobre juros em economias desenvolvidas. O Banco do Canadá havia mantido a taxa básica em 2,25% ao ano em março de 2026, sinalizando cautela diante da trajetória dos preços.
Uma leitura mensal, porém, não define sozinha a trajetória da política monetária. O banco central tende a observar a persistência da inflação, a composição do índice e o efeito de energia sobre os demais preços antes de ajustar a taxa. O próximo passo das autoridades dependerá, sobretudo, de o repasse da gasolina se dissipar de fato em junho — como indicam os primeiros sinais — ou se espalhar para outros setores da economia.











