A Venezuela se prepara para iniciar a maior reestruturação de sua dívida externa com um passivo total que pode atingir US$ 240 bilhões — valor que supera em até 60% as estimativas anteriores do mercado.
O número, divulgado pelo Financial Times com base em pessoas familiarizadas com os planos, está acima da faixa de US$ 150 bilhões a US$ 200 bilhões que investidores vinham considerando para a dívida venezuelana. A reestruturação foi anunciada em maio, após anos de isolamento financeiro.
A operação ganha complexidade porque envolve títulos da estatal petrolífera PDVSA, em default desde 2017, quando a Venezuela deixou de honrar pagamentos a credores internacionais. Desse total, cerca de US$ 60 bilhões correspondem a títulos em atraso, segundo pessoas próximas às negociações. A PDVSA é peça central no caso: a Venezuela depende do petróleo para obter divisas, e os títulos ligados à estatal figuram entre os principais passivos em atraso. A reestruturação, portanto, não envolve apenas contas fiscais — toca a principal fonte de receita externa do país.
Default desde 2017
Desde 2017, quando entrou em default, a Venezuela enfrenta isolamento financeiro que reduziu sua capacidade de acessar mercados e renegociar passivos em condições regulares. A estimativa de US$ 240 bilhões, se confirmada em documento oficial, colocaria a dívida acima do teto de US$ 200 bilhões projetado pelo mercado, o que reforça a complexidade da negociação com credores.
A diferença entre a estimativa anterior e o novo patamar altera o tamanho potencial das perdas, das disputas jurídicas e do volume de títulos que podem entrar na reestruturação. Para investidores em mercados emergentes, uma renegociação desse porte pode influenciar a percepção de risco sobre outros países endividados, especialmente produtores de commodities.
Termos da negociação
A etapa seguinte esperada é a divulgação formal dos números, dos instrumentos incluídos e das condições oferecidas aos credores. A divisão entre dívida soberana, passivos da PDVSA e compromissos privados ainda não foi detalhada oficialmente, o que impede investidores de medir o impacto real da operação.
O próximo passo concreto é a apresentação do plano de reestruturação. Sem esse documento, o número de US$ 240 bilhões funciona como a referência mais alta atribuída aos preparativos, mas não substitui a contabilidade oficial da dívida venezuelana.











