A fabricante de suplementos Fitoway, dona da marca FTW, anunciou nesta terça-feira a meta de faturar R$ 3 bilhões até 2029, apoiada na expansão de sua linha de produtos para farmácias de todo o país. O número, apresentado pelo CEO Daniel Mencacci em entrevista à imprensa, não veio acompanhado de balanços auditados nem de histórico financeiro que permita aferir o crescimento necessário para atingir a cifra.
A projeção chega menos de quatro meses após a Fitoway se fundir com a distribuidora JLFIT, operação que criou um grupo que, segundo as próprias empresas, movimenta R$ 400 milhões por ano. A JLFIT já atende mais de 2 mil farmácias na região de São Paulo; Mencacci quer expandir para cerca de 5 mil pontos de venda de pequeno e médio porte em todo o Brasil — sem que esse pipeline tenha sido detalhado como contratos fechados ou mera prospecção.
A fusão que deu escala ao grupo
A união com a JLFIT, anunciada em março, deu à Fitoway acesso a uma rede de distribuição relevante no varejo farmacêutico paulista. As empresas declararam R$ 400 milhões em receita anual para o novo grupo, mas sem balanços contábeis que permitam avaliar lucratividade, endividamento ou geração de caixa. Sem esses dados abertos, qualquer análise independente da real capacidade de crescimento da companhia fica prejudicada.
A meta de R$ 3 bilhões e o que ela não revela
Os R$ 3 bilhões são uma projeção declarada pelo CEO, sem plano de negócios público que a sustente. Não há comparação com o faturamento histórico da empresa — o que impede calcular qual crescimento anual seria necessário para atingir a cifra, ou se o patamar atual justifica esse salto. O peso dessas lacunas cresce quando se considera o histórico regulatório da marca.
Sanção da Anvisa e a credibilidade a reconstruir
Em outubro de 2023, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibiu a comercialização, distribuição e uso de todos os suplementos da Fitoway que contivessem sulfato de zinco, após a constatação de irregularidades sanitárias nos produtos. A medida foi comunicada formalmente por órgãos de vigilância sanitária em diferentes estados do país.
Em maio de 2024, o Conselho Regional de Nutrição da 1ª Região publicou nota de esclarecimento sobre a Creatina Ultra da Fitoway, após questionamentos de consumidores. A empresa afirmou que o produto seguia normas técnicas, mas o episódio reacendeu o debate sobre a fiscalização do setor de suplementos no Brasil.
É nesse contexto que a Fitoway tenta se consolidar no canal farmacêutico — espaço que, em tese, confere mais credibilidade e escala do que o comércio eletrônico especializado. Para a estratégia funcionar, a empresa precisará não apenas ampliar sua rede de distribuição, mas também convencer varejistas e consumidores de que o histórico sanitário ficou para trás. A meta de R$ 3 bilhões em 2029 depende dessa equação — e, por enquanto, só metade dela está em público.









