A Petrobras assinou um memorando de cooperação com a estatal mexicana Pemex e anunciou planos de estudos em águas profundas no lado mexicano do Golfo do México. “Precisamos olhar para o lado mexicano do Golfo do México”, disse a presidente da empresa, Magda Chambriard, ao apresentar a parceria nesta terça-feira (23).
O acordo cobre exploração e produção, refino e fertilizantes — setores em que a Petrobras detém tecnologia de ponta, especialmente em águas profundas. A cooperação envolve oportunidades no México, na África e no Brasil.
Nova fronteira: Petrobras entra no Golfo mexicano com parceria inédita
A aproximação com a Pemex abre território inexplorado para a Petrobras. A estatal brasileira já opera no Golfo do México pelo lado americano, mas nunca havia avançado sobre o trecho mexicano da mesma bacia — uma das mais produtivas do continente. O memorando muda esse cenário ao oficializar a intenção de mapear oportunidades conjuntas na região.
A escolha da Pemex como parceira não é casual. A mexicana acumula dívidas bilionárias e enfrenta queda de produção há anos — o que torna a aliança com a Petrobras estrategicamente valiosa para o lado mexicano. Para a brasileira, a entrada no Golfo mexicano representa diversificação geográfica e acesso a reservas em águas profundas, segmento em que a empresa é referência mundial desde as descobertas do pré-sal.
Memorando x projeto: onde a Petrobras está nesta história
O acordo assinado é um memorando de entendimento — o passo formal que antecede estudos, negociações de blocos e, eventualmente, decisões de investimento. Não há, neste estágio, orçamento aprovado nem participação em reserva específica no lado mexicano. O próximo passo será a definição das áreas a estudar e do escopo operacional da cooperação.
O contraste com outro movimento recente da empresa ajuda a situar o momento. Há poucos dias, a Petrobras aprovou US$ 1,2 bilhão para construir uma planta de combustíveis renováveis em Cubatão — decisão com cifra, destino e prazo definidos. O memorando com a Pemex é o passo anterior: a intenção de mapear oportunidades antes de qualquer compromisso financeiro.
O que muda para acionistas e para o governo
Para o mercado, o sinal imediato é estratégico: a Petrobras quer crescer internacionalmente, e o Golfo do México é uma das fronteiras escolhidas. A dimensão financeira dessa expansão depende dos estudos que vêm pela frente — e de eventuais aprovações do conselho da empresa.
Para o governo federal, maior acionista da Petrobras e beneficiário direto de seus dividendos, o impacto concreto ainda não tem número. Investimentos externos de escala só entram nas projeções quando saem do papel do memorando e ganham aprovação formal dos órgãos competentes.
O próximo marco é a formalização dos estudos no Golfo mexicano e a definição das áreas de interesse. Quando Petrobras e Pemex avançarem da cooperação para a negociação de blocos exploratórios ou contratos específicos, a parceria ganha dimensão financeira — e passa a pesar de verdade na carteira internacional da estatal brasileira.











