A Fitch Ratings rebaixou o Banco Digimais de BB+ (bra) para CCC (bra) na segunda-feira (22) e declarou que a quebra da instituição é uma “possibilidade real” — um dia antes de a Polícia Federal deflagrar a Operação Miragem, nesta terça-feira (23), com pedido de bloqueio de R$ 670 milhões contra Edir Macedo e outros investigados.
A sequência de 24 horas entre o alerta de mercado e a ação policial levanta uma questão que já circula no sistema financeiro: a agência de risco operava com informações que antecipavam a operação federal, ou os mesmos sinais de deterioração chegaram a avaliadores e investigadores por caminhos independentes?
Fitch corta seis degraus de rating — e declara risco real de quebra
O corte foi drástico: de BB+ (bra) — nível que indica risco moderado mas administrável — para CCC (bra), categoria que sinaliza vulnerabilidade elevada e incapacidade potencial de honrar obrigações financeiras. Após o rebaixamento, a Fitch retirou todos os ratings do Digimais.
O comunicado da agência não deixou margem para leitura suavizada: a quebra do banco foi descrita como uma “possibilidade real”. Na linguagem das agências de risco, essa formulação indica que o colapso financeiro não é cenário teórico — é considerado provável dentro do horizonte de avaliação.
O rebaixamento, porém, não equivale a uma medida regulatória. Somente o Banco Central, como supervisor do sistema financeiro, tem autoridade para decretar intervenção, liquidação extrajudicial ou regime especial sobre uma instituição. Até o momento, o BC não divulgou comunicado sobre o Digimais.
PF mira Edir Macedo e pede bloqueio de R$ 670 milhões na Operação Miragem
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no Digimais nesta terça-feira (23). A Operação Miragem investiga suspeitas sobre a gestão do banco e tem Edir Macedo — associado ao controle da instituição — entre os alvos. O valor de bloqueio requerido à Justiça chega a R$ 670 milhões.
Para dimensionar a cifra: R$ 670 milhões equivalem a mais de 18% do orçamento anual de Piracicaba, estimado em R$ 3,62 bilhões para 2026 — o que dá a escala financeira da investigação, ainda que sem relação direta com as contas do município. A tipificação criminal completa e os mandados individuais serão detalhados com a divulgação dos autos pela Justiça.
O que muda para quem tem dinheiro no Digimais
Rebaixamento de rating e operação policial, juntos, formam um sinal concreto de alerta. A nota CCC da Fitch não bloqueia operações do banco por si só — mas indica, na avaliação da agência, risco elevado de a instituição não honrar seus compromissos financeiros.
Depósitos de até R$ 250 mil por CPF têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), proteção que se aplica a bancos digitais como o Digimais. Quem tem valores acima desse limite, ou recursos em produtos não cobertos pelo FGC, está exposto ao risco de crédito que a Fitch acaba de sinalizar com o rebaixamento.
O Banco Central acompanha o caso na condição de supervisor do sistema financeiro. O Digimais não divulgou nota sobre o rebaixamento nem sobre a operação policial. A confirmação judicial do bloqueio de R$ 670 milhões e os desdobramentos da Operação Miragem definirão os próximos passos do caso.











