O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a mirar o Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (22), em Brasília, durante um encontro da Confederação Nacional da Indústria com presidenciáveis. Ao criticar a atuação da Corte, afirmou que o STF “parece mais uma delegacia de polícia do que uma Corte constitucional”.
A declaração foi feita no evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, organizado pela CNI para reunir nomes cotados à disputa pelo Planalto. No discurso, Flávio associou decisões do tribunal a insegurança jurídica e atacou decisões monocráticas, tema recorrente no embate entre o bolsonarismo e ministros das cortes superiores.
A fala deslocou para um fórum empresarial uma disputa que costuma ocupar o centro do debate político em Brasília. Aliados de Jair Bolsonaro acusam o STF de interferência em temas eleitorais e institucionais; ministros da Corte, por sua vez, têm defendido publicamente a atuação do tribunal como resposta a ataques às instituições e ao processo democrático.
Crítica reforça estratégia eleitoral de Flávio
O senador tem intensificado agendas e discursos com tom de pré-campanha. A presença em um evento nacional da indústria amplia sua exposição diante de um setor que cobra previsibilidade regulatória, estabilidade institucional e clareza sobre a condução da economia nos próximos anos.
Nesse ambiente, a crítica ao Supremo funciona em duas frentes. Para a base bolsonarista, mantém vivo o confronto com o tribunal que tomou decisões centrais contra o ex-presidente e seus aliados. Para empresários, tenta vincular o debate jurídico à agenda de segurança para investimentos, contratos e decisões administrativas.
A CNI aparece no episódio como organizadora do encontro, não como autora das declarações. A comparação entre o Supremo e uma delegacia foi uma fala política de Flávio Bolsonaro dentro de uma agenda montada para discutir propostas de presidenciáveis com o setor industrial.
STF segue como alvo central do bolsonarismo
O ataque ocorre em um momento em que o campo bolsonarista tenta reorganizar sua posição para a eleição de 2026 e transformar decisões judiciais em argumento de mobilização política. A crítica ao Supremo, nesse contexto, não é um ponto isolado: é parte de uma narrativa usada para manter a base engajada e pressionar o debate institucional.
O fato concreto, agora, é que Flávio levou essa agenda a um palco empresarial de alcance nacional. A frase sobre o STF tende a alimentar a disputa política em torno da Corte e a marcar a participação do senador no encontro da indústria, num momento em que seu nome circula entre as opções do bolsonarismo para a corrida presidencial.











