A França acumulou 40 mortes por afogamento desde 18 de junho, em meio à onda de calor que castiga o país. O número foi anunciado nesta terça-feira (23) pelo ministro Sébastien Lecornu e abrange todo o território francês — não a Europa como um todo.
O balanço contabiliza afogamentos ocorridos durante o período de canícula, não mortes causadas diretamente pelo calor — distinção essencial para dimensionar o dado. Antes do anúncio de Lecornu, a Sécurité civile havia registrado ao menos 13 óbitos por afogamento entre o sábado (20), às 21h, e a manhã de segunda-feira (22), em recorte parcial que integra a contagem mais ampla. As declarações do ministro foram publicadas por Le Figaro e pela RFI.
A sombra de 2003 ainda orienta os alertas
Ondas de calor na Europa tornaram-se mais frequentes e intensas desde os anos 2000. Na França, a referência histórica que ancora cada novo episódio é a canícula de 2003, quando mais de 10 mil pessoas morreram em decorrência do calor — a pior catástrofe do gênero na história recente do país. Aquele trauma redesenhou os protocolos sanitários e os sistemas de alerta nacionais. O cenário atual não tem escala comparável, mas reativa toda essa engrenagem preventiva.
Na Bretanha, a imprensa local previa temperaturas entre 41 °C e 42 °C para os próximos dias — patamar que pressiona serviços de saúde, áreas de lazer e locais de banho em toda a região. A Météo-France, serviço meteorológico oficial, acompanha a evolução da canícula e emite os alertas que orientam estados e municípios.
Rios e áreas sem vigilância concentram os riscos
O calor intenso empurra moradores para rios, represas e lagos — com frequência em locais proibidos ou sem guarda-vidas. Em Poitiers, um adolescente de 16 anos morreu afogado no rio Clain no domingo (21), em trecho com banho proibido. As autoridades locais aplicam multas entre 11 e 35 euros a quem desrespeita as restrições de acesso a pontos considerados inseguros.
A sucessão de mortes em períodos de calor extremo alimenta o debate sobre adaptação climática na Europa. Em maio, a ONU classificou ondas de calor no continente como um “lembrete brutal” da crise climática, associando eventos extremos ao impacto sobre saúde pública e infraestrutura urbana.
O governo francês não havia detalhado, até esta terça-feira, quais regiões concentram a maior parte dos casos. A proteção civil deve divulgar nos próximos dias o balanço definitivo, com distribuição geográfica e circunstâncias dos afogamentos.











