terça-feira, junho 23
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Após recordes históricos de temperatura e mortes na França, chefe do clima da ONU alerta que eventos extremos se tornam mais frequentes por ação humana

ONU classifica onda de calor na Europa como ‘lembrete brutal’ da crise climática

Após recordes históricos de temperatura e mortes na França, chefe do clima da ONU alerta que eventos extremos se tornam mais frequentes por ação humana

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • França e Reino Unido registraram os dias mais quentes já vistos para o mês de maio, com temperaturas até 15°C acima da média histórica.
  • O fenômeno cúpula de calor prende massas de ar quente do norte da África sobre a região antes mesmo do início do verão.
  • Simon Stiell apontou como culpados a queima de carvão, petróleo e gás, além da desflorestação mundial.
  • Autoridades francesas confirmaram ao menos sete mortes relacionadas à onda de calor extrema.

Após cruzar dados de serviços meteorológicos europeus e declarações oficiais, a apuração do PIRANOT identificou que o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Simon Stiell, classificou nesta quarta-feira (27) a onda de calor que atinge a Europa como “um lembrete brutal” dos impactos da crise climática. A declaração ocorre após a França e o Reino Unido registrarem, nos dias 25 e 26 de maio, os dias mais quentes já observados para o mês de maio, com temperaturas até 15°C acima da média histórica para o período em diversas localidades.

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A onda de calor precoce — que atinge a Europa antes mesmo do início do verão astronômico no hemisfério norte, em junho — é provocada por uma “cúpula de calor” (heat dome), fenômeno meteorológico caracterizado por uma área de alta pressão que prende massas de ar quente originárias do norte da África sobre a região. O ar quente fica retido como se estivesse sob uma “tampa”, impedindo a circulação e fazendo as temperaturas subirem progressivamente. Portugal e Espanha também estão sob efeito do fenômeno, com alertas meteorológicos ativos em vários distritos. Em declaração à agência France-Presse, Stiell foi direto ao apontar responsabilidades: “A ciência é clara: as mudanças climáticas causadas pelo homem estão tornando essas ondas de calor mais frequentes e extremas”. O secretário-executivo da UNFCCC completou sua análise: “O principal culpado é a dependência mundial da queima de carvão, petróleo e gás, assim como a desflorestação”.

Autoridades francesas confirmaram ao menos sete mortes relacionadas ao calor, segundo informações compiladas pela imprensa internacional. A primeira morte foi registrada no domingo (24), quando um homem passou mal durante uma corrida em Paris e não resistiu. Outras mortes, incluindo afogamentos em praias e rios frequentados por pessoas em busca de alívio do calor, foram registradas nos dias subsequentes. O fenômeno atual chama atenção por sua antecipação no calendário: ondas de calor dessa intensidade costumam ocorrer no auge do verão europeu, entre julho e agosto, não no final de maio.

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Antecedentes e comparações históricas

Eventos extremos de calor na Europa têm precedente devastador. Em 2003, uma onda de calor matou mais de 70 mil pessoas no continente europeu, em um dos maiores desastres climáticos da história moderna — a maioria das vítimas era de grupos vulneráveis, como idosos e pessoas com doenças preexistentes. Em 2019, novos recordes de temperatura foram quebrados em vários países do continente. O evento de 2026 é notável justamente por ocorrer em maio, sinalizando que as estações do ano estão se alterando de forma perceptível e que os padrões climáticos históricos não servem mais como referência segura para a previsão de eventos extremos. “Esta última onda de calor na Europa é um forte lembrete das crescentes consequências humanas e económicas da crise climática”, afirmou Stiell em sua declaração oficial.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) manteve aviso amarelo para tempo quente em todos os distritos de Portugal continental, exceto Faro, nesta quarta e quinta-feira. A persistência de temperaturas acima dos 30°C em grande parte do norte da Europa é considerada anômala para o período e preocupa meteorologistas sobre o que pode vir no verão do hemisfério norte. Especialistas em clima alertam que eventos como este podem se tornar a nova normalidade caso as emissões de gases de efeito estufa não sejam reduzidas de forma significativa nos próximos anos.

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Impacto e próximos passos

Previsões meteorológicas indicam nova alta de temperaturas na quinta-feira (28), o que pode ampliar os riscos à saúde pública nos países afetados. Autoridades europeias mantêm alertas para a população evitar exposição ao sol nas horas mais quentes, manter-se hidratada e verificar idosos e pessoas vulneráveis. O posicionamento da ONU nesta quarta-feira reforça a pressão por acordos climáticos mais ambiciosos em conferências internacionais previstas para os próximos meses, incluindo as negociações sobre financiamento climático para países em desenvolvimento.

Para o Brasil, a declaração tem relevância direta. O país enfrentou em 2024 e 2025 ondas de calor intensas e enchentes históricas no Rio Grande do Sul, eventos que especialistas vinculam às mudanças climáticas globais. A antecipação de eventos extremos na Europa serve como alerta para a necessidade de preparação em países de todos os continentes, incluindo nações em desenvolvimento que podem ter menos infraestrutura para enfrentar calamidades climáticas. A correlação entre os eventos europeus e sul-americanos reforça o caráter global da crise climática e a necessidade de respostas coordenadas em escala internacional.


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