André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo e pré-candidato do PL ao Senado, manteve Eduardo Bolsonaro como primeiro suplente de sua chapa. A decisão foi reafirmada neste sábado (20), em Guarulhos, em ato político que marcou a largada da articulação bolsonarista para a disputa paulista de 2026.
O gesto preserva Eduardo no centro da montagem eleitoral da direita em São Paulo, mas transfere a definição prática para a Justiça Eleitoral. O deputado federal foi condenado pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal e teve os direitos políticos suspensos por oito anos, condição que pode atingir sua participação formal na chapa quando o pedido de registro for apresentado.
A fala de Prado tem efeito político imediato, mas não encerra a discussão jurídica. Partidos podem anunciar composições antes do período oficial de registro; a validade de cada nome, incluindo suplentes, só passa pelo crivo formal da Justiça Eleitoral quando a candidatura é protocolada.
PL preserva aceno ao eleitor bolsonarista
Eduardo Bolsonaro é deputado federal por São Paulo, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e uma das vozes mais influentes do bolsonarismo no estado. Ao mantê-lo como suplente, Prado sinaliza que o PL não pretende retirar espontaneamente o nome da composição antes da fase oficial da disputa.
A escolha também se conecta ao tabuleiro do governador Tarcísio de Freitas, de quem Prado é aliado. O presidente da Alesp ocupa posição relevante na base governista paulista e sua pré-candidatura ao Senado integra o esforço da direita para organizar palanque, alianças e espaço para nomes ligados ao ex-presidente em 2026.
A manutenção de Eduardo expõe uma tensão recorrente no PL: transformar força política em viabilidade eleitoral diante de decisões judiciais que atingem lideranças bolsonaristas. No discurso, a suplência preserva identidade com o eleitorado fiel a Jair Bolsonaro. No rito eleitoral, porém, a legenda terá de sustentar a regularidade do nome indicado.
Registro da candidatura vira o ponto decisivo
Na eleição ao Senado, cada candidatura é registrada com suplentes. Eles não aparecem como titulares da campanha, mas podem assumir o mandato em caso de licença, afastamento, renúncia, morte ou vacância do senador eleito. Por isso, a situação jurídica do suplente também pode ser examinada no processo de registro.
Se Eduardo for apresentado oficialmente como primeiro suplente, a Justiça Eleitoral poderá avaliar se a condenação e a suspensão dos direitos políticos impedem sua participação na chapa. Adversários também poderão apresentar impugnações dentro dos prazos do calendário eleitoral.
Um questionamento não significa, por si só, a queda automática da candidatura de Prado. A consequência dependerá da fase do processo, do teor da decisão e das possibilidades de substituição previstas nas regras eleitorais. Esse é o ponto que transforma a indicação em teste político e jurídico para o PL paulista.
Disputa em São Paulo ganha peso nacional
A vaga ao Senado por São Paulo é estratégica porque o estado concentra o maior colégio eleitoral do país e terá papel central na disputa nacional de 2026. A direita tenta evitar dispersão entre aliados de Tarcísio, quadros do bolsonarismo e partidos que disputam o mesmo campo político.
Ao manter Eduardo na chapa, Prado reforça o aceno ao núcleo mais fiel do bolsonarismo e assume o risco de levar para a campanha uma controvérsia jurídica de alto impacto. O próximo marco concreto será o pedido de registro da candidatura, quando a Justiça Eleitoral decidirá se a suplência pode ser homologada, contestada ou substituída.










