Flávio Bolsonaro lançou neste sábado (20) a pré-candidatura de André do Prado ao Senado por São Paulo e levou para o palanque uma frase que marcou a primeira vitória presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva: “a esperança vai vencer o medo”.
A escolha do slogan não foi acidental. Ao recuperar a fórmula associada à campanha petista de 2002, Flávio tentou reposicionar um símbolo de Lula dentro da narrativa bolsonarista e transformar a disputa paulista em confronto direto com o presidente, o PT e o Supremo Tribunal Federal.
O lançamento também expôs o ponto mais delicado da chapa. Eduardo Bolsonaro foi apresentado como suplente de André do Prado quatro dias depois de ser condenado pela Primeira Turma do STF. A presença dele na composição dá força política ao ato, mas abre uma frente jurídica para a pré-campanha antes mesmo do pedido formal de registro.
PL usa São Paulo para medir reação bolsonarista
André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo e aliado do governador Tarcísio de Freitas, entra na disputa como nome do PL para uma das vagas paulistas no Senado. A legenda tenta ancorar a campanha na força eleitoral do bolsonarismo no estado, mas também busca preservar pontes com o grupo de Tarcísio, hoje peça central da direita nacional.
A presença de Eduardo na suplência cumpre duas funções. Para a militância, opera como gesto de lealdade num momento de pressão judicial sobre a família Bolsonaro. Para adversários, oferece um flanco imediato: a discussão sobre a viabilidade eleitoral de uma chapa que inclui um nome tratado como inelegível no próprio ambiente político.
Esse é o cálculo do PL. A sigla aposta que a condenação de Eduardo pode ser convertida em combustível de campanha, sobretudo entre eleitores que enxergam o STF como adversário político. O risco é transformar a pré-candidatura de André em uma disputa paralela sobre registro, impugnação e substituição de suplente.
Slogan de Lula vira arma contra Lula
A frase original, “a esperança venceu o medo”, virou uma das marcas da eleição de 2002, quando Lula chegou ao Planalto após três derrotas presidenciais. Ao usar uma variação do lema, Flávio procurou inverter o sentido histórico da mensagem: saiu a promessa petista de pacificação, entrou a ideia de resistência bolsonarista contra instituições e adversários.
A manobra também dialoga com a corrida presidencial. Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (20) mostrou Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. O dado ajuda a explicar por que a pré-campanha do senador tenta disputar não apenas votos, mas símbolos associados ao presidente.
Ao mesmo tempo, o ato em São Paulo projeta Eduardo Bolsonaro em um papel diferente dentro do tabuleiro de 2026. Ele deixa de aparecer apenas como articulador de alianças nacionais e passa a integrar, ainda que como suplente, uma composição majoritária no maior colégio eleitoral do país.
Suplência deve virar teste na Justiça Eleitoral
A condenação de Eduardo também provocou reação fora do Brasil. O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou a decisão do STF como “perseguição” e “manipulação jurídica”, manifestação explorada por aliados do deputado para reforçar a tese de perseguição política.
No plano eleitoral, porém, a etapa decisiva ainda está adiante. André do Prado e Eduardo Bolsonaro são pré-candidatos; a chapa só passará pelo crivo formal quando for apresentada à Justiça Eleitoral dentro do calendário de registro das candidaturas.
Se o nome de Eduardo for mantido na suplência, adversários poderão questionar a composição. Caberá então à Justiça Eleitoral decidir se a chapa pode avançar como foi anunciada ou se o PL terá de trocar o suplente para preservar a candidatura de André do Prado ao Senado.











