A Eternit transferiu sua sede administrativa da Faria Lima, em São Paulo, para Hortolândia, no interior paulista, em uma reorganização que aproxima a direção da companhia de fornecedores e da base operacional. A mudança desloca o centro corporativo de uma das regiões empresariais mais caras do país para um polo industrial a cerca de 115 quilômetros da capital.
A empresa de materiais de construção, que tem capital aberto, passa a reunir 250 colaboradores na operação de Hortolândia. A ampliação inclui 100 novas contratações associadas à nova estrutura administrativa, segundo informação divulgada na inauguração da unidade.
O movimento combina dois objetivos: reduzir despesas de estrutura e encurtar a distância entre a gestão e a cadeia produtiva. Para uma companhia industrial, a proximidade com fornecedores tende a pesar em compras, logística, planejamento de produção e suporte às fábricas — áreas em que pequenas economias recorrentes podem aparecer nos resultados ao longo dos trimestres.
Saída da Faria Lima tem peso simbólico e financeiro
A troca da Faria Lima por Hortolândia chama atenção porque a avenida paulistana concentra bancos, gestoras, escritórios corporativos e sedes de empresas que usam o endereço como vitrine institucional. Para negócios industriais, porém, o custo de manter uma estrutura administrativa nesse eixo precisa competir com ganhos mais tangíveis de eficiência.
No caso da Eternit, a decisão ocorre em um momento de recomposição. A companhia passou por recuperação judicial, enfrentou passivos ligados ao amianto e reposicionou parte da estratégia para novos produtos, como telhas solares e soluções para construção. A mudança de sede, nesse contexto, não aparece como retração, mas como ajuste de estrutura depois de um período longo de reorganização.
O desempenho recente reforça essa leitura. No segundo trimestre de 2025, a Eternit registrou lucro líquido de R$ 30,6 milhões, alta de 162% na comparação anual. O resultado colocou a empresa em uma fase mais favorável para reorganizar despesas administrativas sem que a decisão seja lida apenas como medida emergencial.
Hortolândia ganha papel maior na operação
Hortolândia já tem vocação industrial e logística dentro da Região Metropolitana de Campinas, com acesso a rodovias e a uma malha de fornecedores mais próxima do interior paulista. Ao concentrar a sede administrativa ali, a Eternit dá mais peso ao núcleo que dialoga diretamente com a operação, em vez de manter a administração distante da rotina produtiva.
O dado mais concreto, por ora, é o impacto local sobre emprego. A unidade passa a abrigar 250 colaboradores após a expansão anunciada, mas a empresa não detalhou quantos postos foram transferidos da capital nem qual será o destino da estrutura física que mantinha em São Paulo.
Também não há uma cifra pública para a economia esperada. A companhia vinculou a mudança à redução de custos, mas o tamanho do ganho dependerá de despesas como aluguel, serviços administrativos, transição de equipes e eventuais investimentos na nova sede.
Mercado vai medir efeito nos próximos balanços
Para acionistas e investidores, o teste será menos o endereço e mais o efeito da mudança nas despesas reportadas pela companhia. Como empresa listada, a Eternit terá de refletir nos documentos financeiros qualquer impacto relevante sobre custos, margens ou estrutura administrativa.
A partir de agora, a mudança transforma Hortolândia no centro da administração da empresa e coloca a promessa de eficiência sob uma métrica objetiva: os próximos balanços mostrarão se a saída da Faria Lima reduz gastos sem comprometer a execução da estratégia industrial.











