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Economia

Inflação perde ritmo em maio, mas supera previsão e estoura teto da meta

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • IPCA acumula 4,72% em 12 meses, acima do limite de 4,50% da meta
  • Índice desacelera ante abril, mas supera a projeção de 0,53% do mercado
  • Alta no ano chega a 3,20%, maior resultado para o período em cinco anos
  • Dado antecede reunião do Copom e reforça cautela sobre a Selic

A inflação oficial do país desacelerou em maio, mas não o suficiente para aliviar a pressão sobre o Banco Central. O IPCA subiu 0,58% no mês, acima da expectativa de 0,53% do mercado, e acumulou alta de 4,72% em 12 meses, superando o teto da meta de inflação.

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O resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta sexta-feira (12). Em abril, o índice havia avançado 0,67%. A perda de ritmo no mês, portanto, veio acompanhada de um sinal menos confortável: no acumulado em 12 meses, a inflação voltou a ficar acima do limite superior da meta, de 4,50%.

No ano, o IPCA acumula alta de 3,20%. Para o bolso das famílias, o número de maio mostra uma pressão concentrada em despesas difíceis de adiar ou cortar, como supermercado, energia elétrica e gastos com saúde.

Alimentos lideram a pressão no mês

O grupo de alimentos e bebidas subiu 1,33% em maio e respondeu por 0,29 ponto percentual do IPCA, a maior contribuição entre os grupos pesquisados. Na prática, quase metade da inflação do mês veio dessa categoria.

A alta pesa mais porque recai sobre uma parcela recorrente do orçamento doméstico. Mesmo quando a inflação mensal desacelera, aumentos em alimentos têm efeito imediato sobre a percepção de custo de vida, especialmente nas famílias de menor renda, que destinam fatia maior da renda ao consumo básico.

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Conta de luz encarece e puxa habitação

A energia elétrica residencial avançou 3,67% em maio e teve impacto de 0,15 ponto percentual no índice. Foi a maior pressão individual entre os itens informados para o mês e ajudou a levar o grupo habitação a uma alta de 1,22%.

O efeito combinado de alimentos e energia torna o resultado mais sensível para o consumidor. São gastos que entram todos os meses na conta das famílias e reduzem a margem para reorganizar o orçamento quando os preços sobem ao mesmo tempo.

Saúde e cuidados pessoais também ficaram mais caros, com alta de 0,90%. O movimento amplia a lista de despesas essenciais em alta e reforça a leitura de que a inflação ainda não se limita a itens isolados.

Resultado aumenta cautela antes do Copom

O IPCA de maio chega às vésperas da próxima reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para os dias 16 e 17 de junho. O colegiado do Banco Central define a taxa Selic, principal instrumento de controle da inflação.

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Quando a inflação em 12 meses supera o teto da meta e o resultado mensal vem acima do esperado, diminui o espaço para uma leitura mais benigna sobre os preços. O dado tende a reforçar a cautela na condução dos juros, sobretudo porque alimentos e energia têm peso direto na formação das expectativas de inflação.

A decisão sobre a Selic dependerá do conjunto de indicadores analisados pelo Banco Central, mas o IPCA de maio impõe uma mensagem clara: a inflação perdeu força em relação a abril, porém continua alta o bastante para pressionar o orçamento das famílias e manter o debate sobre juros em terreno cauteloso.