República Democrática do Congo registrou nesta sexta-feira (5) 71 novos casos de Ebola em 24 horas, com transmissão comunitária, e confirmou avanço do surto para Uganda, segundo atualização do Ministério da Saúde do país.
O mesmo boletim apontou 452 casos acumulados. A Organização Mundial da Saúde, por sua vez, já alertou que a crise pode ter ultrapassado 900 casos e cerca de 220 mortes, algo compatível com critérios distintos de validação e consolidação entre sistemas nacionais e o monitoramento internacional.
Iniciado em 15 de maio, o surto foi classificado em 25 de maio pela OMS como grave e de difícil contenção. Com a entrada em Uganda, a prioridade é frear cadeias comunitárias e impedir o transbordamento além da fronteira.
OMS e CDC elevam a resposta regional
OMS e CDC África anunciaram plano de US$ 518 milhões para os próximos seis meses, com apoio a serviços locais, rastreamento de contatos e ações para reduzir o risco de avanço transnacional.
Surto no Congo em contexto histórico
No horizonte histórico, o Congo já enfrentou dois marcos fortes da doença. Entre 2018 e 2020, houve o segundo maior surto conhecido, com 2.280 mortes. A epidemia de 2014 a 2016 na África Ocidental chegou a mais de 11 mil óbitos e permanece como referência de gravidade para a resposta global.
Brasil monitora risco e mantém preparação para suspeitas
No Brasil não há transmissão local comunicada deste ciclo. Em maio, São Paulo divulgou investigação de suspeita com histórico de viagem do Congo, com risco baixo e sem confirmação, e no Rio de Janeiro foram citadas adaptações de ambulâncias e treinamento de equipes para atendimento inicial de casos suspeitos.
Na prática, o próximo passo é operacional: fortalecer vigilância, rastrear contatos com rapidez e manter fluxo de informação entre OMS e serviços de saúde para impedir que o surto saia do controle regional e gere nova cadeia de transmissão externa.










