Carlo Ancelotti projetou, neste sábado (30), a utilização de Neymar no primeiro ou segundo jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2026, baseado no cronograma de recuperação da lesão muscular grau 2 na panturrilha diagnosticada no atacante. “Tomamos decisões sem nenhum tipo de pressão externa”, declarou o técnico da seleção, sinalizando que o departamento médico da CBF mantém o controle sobre o processo.
A declaração de Ancelotti ocorre em meio a uma divergência pública entre a Confederação Brasileira de Futebol e o Santos FC. Na quarta-feira (28), o clube paulista comunicou que Neymar “estaria apto para entrar em campo já no domingo (31)”, pelo Campeonato Brasileiro. O médico da seleção, Rodrigo Lasmar, não se pronunciou oficialmente sobre a suposta aptidão imediata, e os exames do atleta — cujo resultado foi compartilhado entre as partes — não foram divulgados pela CBF.
O PIRANOT acompanhou a confirmação do diagnóstico de grau 2 e os exames que afastaram Neymar dos treinos nos dias anteriores. O atacante foi convocado pela CBF em 18 de maio e sofreu a lesão muscular na sequência, abrindo incerteza sobre sua condição física para os jogos iniciais do torneio.
Oito lesões em quatro anos — e o peso de 66 partidas disputadas
Desde a Copa do Mundo de 2022, no Catar, Neymar acumulou oito lesões e disputou o equivalente a apenas 66 partidas — número que traduz, em dados concretos, a intermitência do atacante no alto rendimento. A lesão atual, grau 2 na panturrilha, é a mais recente de uma série que marcou a relação do jogador com competições de alto nível. Cada nova contusão renova as dúvidas sobre a condição física do atleta para torneios de alta intensidade — questionamento que o contexto histórico torna cada vez mais legítimo.
A convocação para o Mundial de 2026 já carregava o peso desse histórico. Neymar é o principal nome da seleção brasileira em busca do hexacampeonato na América do Norte, e a incerteza sobre sua condição física acrescenta imprevisibilidade à preparação da equipe para o torneio.
Sindicância no Santos e o impasse com a CBF
Paralelamente à recuperação, o Santos instaurou uma sindicância de 48 horas para ouvir Neymar, conforme noticiou o PIRANOT em 25 de maio. O prazo expira no domingo (31) e pode influenciar o cronograma da seleção, caso o jogador seja obrigado a se apresentar ao clube para depoimento no meio da preparação. A CBF não se manifestou sobre o procedimento interno.
Ancelotti não estabeleceu uma data definitiva para o retorno de Neymar às atividades coletivas com a seleção. A projeção para o primeiro ou segundo jogo do Brasil está condicionada à evolução clínica do atleta nas próximas semanas e não representa uma garantia de escalação. O técnico italiano deixou claro que as decisões serão tomadas progressivamente, conforme o quadro físico avançar — sem comprometimento antecipado com qualquer rodada específica do torneio.
Permanecem sem resposta oficial tanto a data exata em que a lesão foi diagnosticada quanto uma posição formal do departamento médico da CBF sobre o impasse com o Santos. O imbróglio entre o clube e a confederação expõe uma falha de comunicação que pode prejudicar o planejamento da seleção nas semanas que antecedem o início do Mundial.
O PIRANOT também registrou o suspense gerado pelos exames de imagem e a ausência de Neymar nos treinos de 27 de maio, leituras que já antecipavam o impasse atual.











