sábado, 18 de julho de 2026
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Estatal mineira publicará novo prospecto após propostas ficarem abaixo do preço mínimo; mercado esperava definição entre Aegea e Equatorial nesta quarta-feira (27).

Copasa adia escolha de sócio e revisa privatização; ação cai 4,3%

Estatal mineira publicará novo prospecto após propostas ficarem abaixo do preço mínimo; mercado esperava definição entre Aegea e Equatorial nesta quarta-feira (27).

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Novo prospecto será publicado após pedido do governo de Minas Gerais por alterações no processo.
  • Mercado esperava escolha entre propostas da Aegea e da Equatorial para controlar 30% da estatal.
  • Valor referencial das ações estava fixado em R$ 53, mas valuation real esperado não foi revelado.
  • Comitê de Coordenação de Estatais precisa aprovar mudanças antes da retomada do cronograma.
  • Analistas apontam divergência de preços entre governo e proponentes como motivo do atraso.

Após confrontar comunicados oficiais da estatal, dados de mercado e relatos de fontes do setor, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) surpreendeu investidores ao anunciar nesta quarta-feira (27) a alteração do cronograma de sua oferta de ações ligada ao processo de privatização. A decisão frustrou a expectativa de definição do acionista de referência que comandaria o futuro da companhia e provocou queda acentuada nas ações.

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Em fato relevante publicado na manhã desta quarta-feira, momento em que se esperava a divulgação do nome do sócio estratégico, a empresa informou que “fará mudanças nas condições da oferta” e que publicará um novo prospecto e uma nova lâmina da oferta pública de ações. Segundo o documento oficial, “o Comitê de Coordenação e Governança de Estatais deverá se manifestar em relação às referidas alterações que, uma vez aprovadas, serão refletidas nos documentos da Oferta que serão oportunamente reapresentados, indicando inclusive o novo cronograma da Oferta”.

A definição era aguardada para esta data, quando se saberia se o grupo Livorno — controlador da Aegea — ou a Equatorial — acionista da Sabesp — se tornariam o acionista de referência da companhia, com direito a 30% do capital social e o comando do processo de universalização do saneamento em Minas Gerais. Segundo fontes do setor ouvidas pelo mercado, as propostas apresentadas pelos candidatos ficaram abaixo do preço mínimo esperado, o que teria motivado o pedido de alterações pelo governo mineiro.

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Divergência de valuation expõe impasse

O adiamento expõe uma divergência de valuation entre o governo de Minas Gerais e os proponentes. O prospecto original estabelecia um valor referencial das ações na casa dos R$ 53,00, baseado em uma média histórica. No entanto, o valuation real esperado pelo estado não foi tornado público, gerando um impasse na negociação entre as partes. O governo mineiro, que atualmente detém 50,03% da companhia, reduziria sua participação para 5,03% ou até zero após a operação — transação potencial de mais de R$ 10 bilhões, uma das maiores do setor de saneamento no país.

Fontes do mercado indicam que a Copasa discute abrir novo prazo para ofertas dos sócios de referência, permitindo ajustes nos valores propostos. O modelo de privatização prevê que o acionista escolhido assuma o controle operacional e invista na expansão dos serviços de água e esgoto em todo o estado.

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Mercado reage com queda e aumento de percepção de risco

As ações da Copasa (CSMG3) fecharam em forte queda nesta quarta-feira, liderando as perdas do Ibovespa com recuo de 4,30%, a R$ 50,97. A reação reflete a incerteza dos investidores sobre o desfecho do processo. Felipe Sant’Anna, especialista de investimentos da Axia Investing, avalia que “a oferta secundária, que envolveria a venda de ações do governo, foi adiada, gerando dúvidas nos investidores, que estão retirando seus investimentos devido à falta de previsibilidade”.

Já Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirma que “essa alteração gerou aumento na percepção de risco na modelagem da privatização”. A Copasa não definiu data para divulgação dos novos documentos, limitando-se a afirmar que as informações “serão oportunamente reapresentadas”.

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Modelo similar ao da Sabesp e impacto setorial

O processo de privatização da Copasa segue modelo similar ao aplicado na Sabesp em 2024, quando a Equatorial adquiriu o controle da companhia paulista. A estatal mineira atende cerca de 97% dos municípios de Minas Gerais com serviços de água e esgoto, posição estratégica no setor de saneamento brasileiro. O cronograma original previa a publicação do prospecto em 21 de maio, com manual de seleção publicado pelo governo mineiro em 23 de maio.

O adiamento gera incerteza sobre o prazo final para definição do parceiro estratégico e os investimentos necessários para universalização do saneamento em Minas Gerais. O setor acompanha o desfecho como termômetro para processos similares em outros estados, especialmente considerando o interesse de grandes grupos na consolidação do setor de saneamento no Brasil.

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