A regulação das apostas online, anunciada pelo governo federal em abril de 2025, já nasce desafiada por uma cultura de burla entre os jovens. Levantamento do Ipsos encomendado pela plataforma de verificação de identidade Unico revela que 30% dos adolescentes de 16 e 17 anos admitem contornar os mecanismos de checagem de idade para acessar sites de bets ou comprar produtos proibidos, como bebidas e cigarros eletrônicos.
Os dados, divulgados nesta semana, mostram que 11% dos jovens brasileiros de 18 a 29 anos fizeram ao menos uma aposta esportiva em 2025. Desse grupo, 9% apostaram nos últimos quatro meses do ano, indicando uma prática persistente mesmo com o avanço das regras do mercado.
A situação é ainda mais grave entre os menores de idade. Conforme a pesquisa, 5% dos adolescentes de 10 a 17 anos já compraram álcool ou tabaco pela internet. Na faixa de 16 e 17 anos, o percentual salta para 9%. O dado que mais preocupa especialistas é o de que 30% desses jovens de 16 e 17 anos usam a própria internet para falsear a idade exigida pelos sites, burlando filtros de verificação.
Regulamentação e fiscalização em xeque
O governo federal reagiu em abril com a regulamentação da fiscalização dos sites de apostas, publicada pelo Ministério do Esporte. A norma prevê o uso de tecnologia do Serpro para cruzar dados e bloquear o acesso de menores e de pessoas inscritas em um cadastro nacional de proibidos, em elaboração pela Advocacia-Geral da União. A ideia é impedir que cidadãos com dívidas fiscais, beneficiários de programas sociais ou com histórico de ludopatia façam apostas.
A pesquisa do Ipsos, porém, evidencia o tamanho do desafio. Enquanto as apostas entre adultos jovens se consolidam como hábito — movimentando bilhões de reais, conforme dados da Receita Federal —, a porta de entrada para menores permanece aberta. O levantamento aponta que a compra de produtos vedados por adolescentes não é um desvio isolado, mas um padrão que questiona a eficácia dos sistemas de verificação de idade adotados até aqui.
A Unico, que encomendou o estudo, defende o uso de biometria facial como antídoto à fraude etária. A empresa atua na validação de documentos para bancos e fintechs. Os números da pesquisa devem alimentar o debate no Congresso, onde tramita projeto que obriga as bets a adotarem mecanismos mais rígidos de controle, sob pena de multa e suspensão.
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