A aprovação do presidente russo, Vladimir Putin, caiu para 65,6% em abril, o menor índice desde antes da invasão da Ucrânia, segundo o instituto estatal VTsIOM. A queda não foi motivada pela guerra, mas pelas restrições à internet que tiraram WhatsApp e Telegram do ar em dezenas de regiões.
O Kremlin impôs os bloqueios sob a justificativa de combater ameaças terroristas, conforme informou o governo russo. A medida, no entanto, acendeu uma revolta popular inédita desde o início do conflito.
Fontes da oposição estimam que o apoio real a Putin esteja abaixo de 30%, de acordo com relatório do Kyiv Post. A diferença entre os números oficiais e os da oposição reflete o controle do Kremlin sobre as pesquisas, que, segundo o site postsocialism.org, são usadas para fabricar consentimento.
Aprovação de Putin despenca com restrições digitais
A pesquisa do VTsIOM mostrou que a popularidade de Putin recuou para 65,6% em abril, uma queda de quase 10 pontos percentuais em relação ao pico registrado no início da guerra. O instituto estatal atribuiu o declínio a fatores econômicos, mas analistas independentes apontam as restrições digitais como o verdadeiro gatilho.
‘As pessoas toleraram a guerra, mas não aceitaram perder o WhatsApp’, declarou um analista político independente ao The Moscow Times. A frase resume o sentimento de uma população que, até então, mantinha apoio passivo ao Kremlin.
A revolta ganhou corpo quando os bloqueios se expandiram para 34 regiões, interrompendo a comunicação de milhões de famílias e pequenos negócios. O descontentamento forçou o governo a recuar parcialmente em algumas localidades, mas a confiança já estava abalada.
Bloqueios regionais e perdas econômicas com a censura digital
As restrições ao WhatsApp e ao Telegram atingiram 34 regiões russas, segundo o The Moscow Times, em uma escalada da censura digital que provocou prejuízos estimados em US$ 12 bilhões. O bloqueio interrompeu serviços digitais essenciais para a população e para empresas, gerando um impacto econômico significativo.
O governo russo justificou as medidas alegando que os aplicativos eram usados para ‘atividades extremistas’, mas a decisão alimentou a insatisfação popular. ‘As pessoas estão furiosas porque perderam o principal meio de comunicação com familiares e clientes’, afirmou um analista de tecnologia citado pelo The Moscow Times.
Paralelamente, o Kremlin acelerou os testes de uma ‘internet soberana’, com milhares de horas de simulações de desconexão da rede global, conforme divulgado por autoridades do setor. A combinação de bloqueios e perdas financeiras intensificou a adoção de VPNs, que se tornaram ferramentas de resistência cotidiana contra o cerco digital.
Adoção de VPNs dispara como forma de resistência digital
Quase metade da população russa — 46% — já utiliza redes privadas virtuais (VPNs) para furar bloqueios impostos pelo Kremlin a plataformas como WhatsApp e Telegram, segundo dados da Cybernews. O percentual, que era residual antes da guerra na Ucrânia, reflete uma guinada na relação dos cidadãos com a internet: o que antes era ferramenta de nicho virou ‘modo de vida’, conforme relato do The Moscow Times.
‘As pessoas não protestaram quando tanques cruzaram a fronteira, mas se revoltaram quando perderam o acesso aos grupos de mensagens’, descreveu um analista do centro de estudos Internet Protection Society, em declaração reproduzida pela imprensa independente russa. A frase sintetiza a politização de grupos historicamente apáticos, agora mobilizados pela restrição digital.
O crescimento da demanda por VPNs acompanha a escalada da censura. Em 2025, o governo russo determinou o bloqueio de chamadas de voz e vídeo no WhatsApp e Telegram em 34 regiões, alegando que os aplicativos eram usados para ‘atividades extremistas’, conforme noticiou o The Moscow Times. A medida, no entanto, teve efeito colateral: impulsionou um mercado paralelo de serviços de privacidade e levou cidadãos comuns a buscar tutoriais para instalar redes privadas.
Especialistas em segurança digital ouvidos pela Cybernews apontam que a adoção em massa de VPNs alterou o perfil do usuário típico: antes restrito a profissionais de tecnologia e ativistas, agora inclui aposentados, donas de casa e pequenos comerciantes. A tendência pressiona o Kremlin, que tenta bloquear protocolos de VPN desde 2021, mas enfrenta um jogo de gato e rato com provedores que atualizam servidores mais rápido do que o órgão regulador Roskomnadzor consegue derrubá-los.











