A privação de água em Gaza foi usada como ‘arma de guerra’ e instrumento de punição coletiva por Israel, acusa um relatório dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) divulgado nesta terça-feira (28). O documento documenta a destruição deliberada de estações de tratamento, poços e redes de distribuição, além do bloqueio à entrada de combustível para bombas e caminhões-pipa.
A estratégia israelense, segundo a ONG, configura violação do direito internacional e agrava a crise humanitária na Faixa de Gaza. O MSF classifica a ação como parte de uma campanha genocida contra os palestinos. A organização já havia feito denúncia semelhante em agosto de 2025.
Israel nega as acusações. O Exército israelense afirma que suas operações visam exclusivamente alvos do grupo terrorista Hamas. Em nota, a força disse que está ciente das acusações, mas não detalhou medidas para garantir o abastecimento de água à população civil.
A denúncia do MSF
‘O Estado de Israel priva deliberadamente as pessoas em Gaza de terem acesso a água, como parte da campanha genocida que está a cometer’, afirma o relatório do MSF Portugal. O documento aponta que a infraestrutura hídrica foi deliberadamente destruída, incluindo estações de tratamento, poços e redes de distribuição.
‘O corte de água e a destruição de infraestrutura são táticas de guerra proibidas pelo direito internacional humanitário’, diz a ONG. O MSF também destaca o bloqueio à entrada de combustível, essencial para operar bombas e caminhões-pipa. Sem combustível, o abastecimento de água fica inviável.
A organização pede que a comunidade internacional pressione Israel a cessar imediatamente essas práticas. O relatório soma-se a outras denúncias de organizações internacionais sobre a situação humanitária em Gaza.
Resposta de Israel
O Exército israelense rejeita as acusações. ‘Nossas operações são precisas e visam exclusivamente alvos terroristas do Hamas’, afirmou um porta-voz militar, em nota. A força nega que utiliza a água como arma e classifica as medidas como necessárias para fins militares.
No entanto, o MSF contesta essa versão. A organização afirma que a destruição de infraestrutura hídrica e o bloqueio de combustível não podem ser justificados por necessidades militares. ‘São ações deliberadas que punem a população civil’, diz o relatório.
A denúncia do MSF ocorre em meio a crescentes críticas internacionais às operações israelenses em Gaza. Até o momento, o governo israelense não se pronunciou oficialmente sobre o relatório específico.
Impacto humanitário sobre civis
Com as estações de tratamento danificadas, a população de Gaza depende de fontes contaminadas ou de racionamento extremo. A falta de água potável expõe civis a doenças como cólera e desidratação, especialmente crianças e idosos.
‘O acesso à água tornou-se um privilégio negado a milhares de palestinos’, afirma o MSF. A crise hídrica agrava a já precária situação sanitária no território, onde hospitais enfrentam falta de suprimentos básicos.
Segundo a ONG, a estratégia israelense viola o direito internacional humanitário, que proíbe a privação de meios de sobrevivência da população civil. O MSF pede que a comunidade internacional adote medidas para garantir o abastecimento de água em Gaza.
Em agosto de 2025, o MSF já havia feito denúncia semelhante, afirmando que Israel estava ‘a privar deliberadamente a população de Gaza de água’. O novo relatório atualiza esses dados e mostra que a situação se agravou ainda mais.











