Um inventário nacional publicado em abril mostra que as espécies exóticas de moluscos no Brasil subiram de 26 para 82 em 15 anos, alta de 215%.
O estudo foi liderado por Fabrizio Marcondes Machado, pesquisador do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas, e publicado na revista científica Biological Invasions, da Springer Nature. Trata-se do primeiro inventário de amplitude nacional produzido sobre esses organismos no país.
O dado central exige uma distinção: 82 é o total de espécies exóticas, ou não nativas, registradas; 20 delas são classificadas como invasoras e 13 como criptogênicas. Portanto, o salto no inventário não significa que todas as 82 espécies tenham dano ambiental, sanitário ou econômico comprovado.
De 26 a 82 registros: histórico e números do inventário
A série compara 2011, quando havia 26 espécies exóticas de moluscos registradas, com 2026, quando o inventário chegou a 82. A variação é de 215% em 15 anos, número que sustenta o alerta sobre bioinvasão no país.
Entre as espécies citadas está o mexilhão-dourado, que chegou ao Brasil vindo da China. O caramujo-africano foi introduzido como alternativa ao escargot e passou a ser tratado como praga agrícola e vetor de doenças.
O impacto econômico documentado se concentra no mexilhão-dourado. O custo de combate associado a essa espécie é de US$ 10 milhões.
O avanço dessas espécies é associado a riscos para ecossistemas aquáticos e terrestres e a prejuízos operacionais em usinas hidrelétricas e sistemas de captação de água. O mexilhão-dourado afeta bacias hidrográficas do Sudeste e do Sul do país, com impacto sobre hidrelétricas e captação municipal.
Controle deve priorizar as 20 espécies invasoras
A próxima etapa para gestores ambientais é transformar o inventário em priorização de controle, especialmente para as 20 espécies classificadas como invasoras.












