Ismael ‘El Mayo’ Zambada, cofundador do Cartel de Sinaloa, foi condenado à prisão perpétua nesta segunda-feira (20) pela Justiça dos Estados Unidos, em Nova York. A sentença foi proferida pelo juiz federal Brian Cogan no tribunal do Brooklyn e representa o desfecho de uma das mais longas carreiras do narcotráfico internacional.
Zambada, de 76 anos, admitiu em agosto de 2025 ter comandado o envio de milhões de quilos de cocaína aos EUA ao longo de décadas, conforme o acordo de culpa que evitou um julgamento prolongado. A confissão incluiu crimes de conspiração para tráfico de drogas e participação em organização criminosa, segundo registros do caso.
A captura de Zambada, em julho de 2024, no Texas, após um voo secreto, encerrou uma trajetória de décadas sem prisões. Ele era o último dos fundadores históricos do cartel ainda em liberdade. Seu sócio, Joaquín ‘El Chapo’ Guzmán, cumpre prisão perpétua nos EUA desde 2019, também sentenciado no mesmo tribunal do Brooklyn.
Ascensão e queda do último fundador
Zambada integrou o Cartel de Sinaloa desde sua formação, nos anos 1990, e assumiu o controle após a captura de El Chapo. Diferentemente do sócio, que protagonizou fugas espetaculares, El Mayo operou por décadas sem ser localizado, consolidando uma rede de tráfico que abasteceu o mercado americano com toneladas de cocaína, heroína e metanfetamina.
A sentença desta segunda-feira foi lida no mesmo tribunal que condenou El Chapo, reforçando a pressão das autoridades americanas sobre a cúpula do narcotráfico mexicano. O juiz Brian Cogan, que também presidiu o caso de Guzmán, aplicou a pena máxima após o acordo de culpa, detalhado em documentos judiciais.
Apesar da condenação, o Departamento de Justiça dos EUA não divulgou imediatamente a íntegra da sentença nem os termos de eventual cooperação de Zambada com as investigações. O governo mexicano também não se manifestou até a publicação desta reportagem.
O vácuo no comando do cartel
Com os dois fundadores presos, o Cartel de Sinaloa enfrenta um cenário de fragmentação. Especialistas em segurança apontam que a organização pode se dividir em facções menores, aumentando a violência em regiões do México. As autoridades americanas, no entanto, não detalharam se a sentença de Zambada incluiu informações sobre a estrutura atual do grupo.
Também permanece em aberto o local onde o traficante cumprirá a pena. A Corte Distrital dos EUA não informou a unidade prisional designada, e as condições de segurança não foram reveladas. A ausência desses detalhes alimenta dúvidas sobre o nível de isolamento que será imposto a um dos criminosos mais perigosos do mundo.
A condenação de El Mayo Zambada encerra um ciclo de quatro décadas de impunidade, mas não elimina o poder do Cartel de Sinaloa. A próxima etapa será acompanhar a reação do governo mexicano e os desdobramentos nas rotas internacionais de drogas.










