quinta-feira, 16 de julho de 2026
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Economia

Tarifaço dos EUA atinge US$ 11 bilhões em exportações do Brasil, diz Amcham

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A sobretaxa é desfecho de investigação do USTR com base na Seção 301, usada para pressionar parceiros comerciais.
  • Itens como café, suco de laranja e carne bovina ficaram fora da lista de produtos taxados.
  • A participação dos EUA nas exportações brasileiras já havia caído a 9,4% no primeiro semestre, menor nível desde 1997.
  • Amcham alerta que tarifas podem aumentar a dependência americana de fornecedores asiáticos.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) estima que a nova tarifa de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros, anunciada pelo governo dos Estados Unidos, afetará US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio a partir de 22 de julho.

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A medida, oficializada na quarta-feira (15) como desfecho de investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), provocou reação imediata do governo Lula, que repudiou a decisão e anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade. A análise da Amcham, divulgada nesta quinta-feira (16), classifica a sobretaxa como “muito negativa” para a relação bilateral e alerta para o risco de retaliações comerciais.

A imposição ocorre no âmbito da Seção 301 da legislação comercial americana, instrumento usado historicamente para pressionar parceiros em temas de propriedade intelectual e barreiras de mercado. O tarifaço atinge uma cesta ampla de produtos, mas deixa de fora itens como café, suco de laranja e carne bovina, que estão na lista de exceções divulgada pelo USTR. Ainda assim, a abrangência da medida preocupa setores que dependem do mercado americano, como o de rochas ornamentais e o industrial do Espírito Santo, estado onde 27% das exportações têm os EUA como destino.

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Pressão sobre a indústria e o agro

Dados do comércio exterior mostram que a participação dos EUA nas exportações brasileiras já vinha encolhendo. No último ano, a fatia americana caiu de 12,1% para 9,4%, enquanto a China avançou na mesma proporção. No primeiro semestre de 2026, as vendas para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025, segundo estatísticas oficiais.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a retomada das sobretaxas pode atingir 35,2% das exportações brasileiras para os EUA. No Espírito Santo, o impacto pode chegar a US$ 1,1 bilhão, de acordo com a Federação das Indústrias do estado (Findes), devido à concentração de vendas de rochas ornamentais e produtos siderúrgicos.

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A lista completa dos 3 mil produtos afetados ainda não foi detalhada pelo USTR, o que dificulta o cálculo preciso por setor. A Amcham alerta que a incerteza pode paralisar novos contratos e investimentos.

Reação brasileira e próximos passos

O governo Lula afirmou, em nota, que “repudia” a decisão e que usará a Lei de Reciprocidade para responder. A legislação permite ao Brasil aplicar tarifas equivalentes sobre produtos americanos, mas o Palácio do Planalto não informou quais itens seriam atingidos nem o prazo para a retaliação.

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A pressão por um acordo já mobiliza entidades empresariais. Em 9 de julho, a CNI e câmaras de comércio pediram ao governo brasileiro que busque um entendimento para barrar a sobretaxa, conforme mostrou o PIRANOT.

A aplicação da Lei de Reciprocidade pode gerar contestações na Organização Mundial do Comércio (OMC). Enquanto isso, a lista de exceções ainda pode sofrer alterações unilaterais pelo governo americano até o dia 22, acrescenta a Amcham.

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O impacto sobre o nível de emprego nas fábricas brasileiras ainda não foi quantificado pelas entidades patronais.


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