O Ministério da Fazenda manteve nesta quarta-feira (15) a projeção de crescimento do PIB de 2026 em 2,3% e reduziu a estimativa para 2027 de 2,6% para 2,5%, conforme o Boletim Macrofiscal de julho.
A manutenção da projeção para 2026 ocorre apesar da desaceleração esperada na atividade, reflexo do ciclo de alta da taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano. O documento da Secretaria de Política Econômica (SPE) indica que o carregamento estatístico (carry-over) de 2025 para 2026 foi revisado para baixo, mas o crescimento do primeiro trimestre sustentou a estimativa.
Para 2027, a revisão de 2,6% para 2,5% sinaliza um cenário de juros ainda restritivos. A projeção da Fazenda é mais otimista que a do Banco Central, que estima expansão de apenas 1,6% para 2026, e do mercado financeiro, cuja mediana no boletim Focus é de 1,89%.
Juros altos pressionam atividade
A revisão ocorre em um ambiente de política monetária contracionista. Em junho, o Banco Central manteve a Selic em 14,25% e projetou inflação acima do teto da meta em 2026, como mostrou o PIRANOT. A taxa elevada encarece o crédito e reduz o consumo, afetando setores cíclicos da economia.
Em maio, a SPE já havia mantido a projeção de 2,3% para 2026, mas elevou a estimativa de inflação para 4,5%, citando pressões climáticas como o El Niño. Agora, o foco se desloca para o impacto dos juros na atividade futura.
Divergência com mercado afeta expectativas
A diferença entre as projeções da Fazenda (2,3%) e do mercado (1,89%) para 2026 é de 0,41 ponto percentual, o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões no PIB nominal, considerando um PIB de R$ 11 trilhões. Essa discrepância influencia a percepção de risco fiscal, pois a arrecadação tributária depende do ritmo da atividade.
O Banco Central, com projeção de 1,6%, é ainda mais pessimista. A manutenção de juros altos por mais tempo pode comprometer a recuperação do investimento e do emprego. Em julho, o PIRANOT mostrou que o juro médio ao consumidor atingiu 56,7% ao ano, o que restringe o consumo das famílias.
A redução da projeção para 2027, ainda que modesta, sinaliza que o governo reconhece os efeitos defasados da política monetária. A SPE não detalhou o impacto fiscal da revisão, mas uma desaceleração de 0,1 ponto percentual pode representar menor arrecadação de impostos na ordem de R$ 5 bilhões, segundo estimativas de mercado.
Calendário de revisões
O próximo Boletim Macrofiscal está previsto para setembro, quando a SPE poderá incorporar novos dados de atividade do segundo trimestre. O Banco Central divulgará a próxima edição do Relatório Focus na segunda-feira (20), com atualização das expectativas do mercado.
O IBGE ainda não oficializou o PIB de 2025, cujo resultado será divulgado em março de 2027. Até lá, as projeções para 2026 e 2027 permanecem sujeitas a revisões conforme a trajetória da Selic e o cenário externo.











