O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou nesta quarta-feira (8) a suspensão imediata de todo o comércio com a Espanha, durante a abertura da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, na Turquia.
A decisão foi anunciada ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e justificada por Trump como retaliação à recusa espanhola de elevar os gastos militares para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e de apoiar os Estados Unidos na guerra contra o Irã. “A Espanha é uma parceira terrível”, declarou o presidente americano, segundo transcrição do encontro.
A ordem, no entanto, ainda não foi formalizada por decreto ou portaria do Tesouro americano. O governo espanhol reagiu com tranquilidade: “Estamos tranquilos”, afirmou um porta-voz do Executivo de Madri. A Comissão Europeia, por sua vez, declarou que “sempre protegerá seus integrantes” e lembrou que a política comercial é competência exclusiva do bloco.
A crítica aos gastos militares e ao Irã
Trump voltou a pressionar os aliados da Otan para que atinjam a nova meta de 5% do PIB em defesa, muito acima dos 2% anteriormente acordados. A Espanha, que destina cerca de 1,3% do PIB ao setor, rejeitou publicamente o patamar e não apresentou plano para alcançá-lo. A tensão entre Washington e Madri se intensificou em junho, quando o Papa León XIV iniciou visita à Espanha após rejeitar declarações de Trump, como noticiou o PIRANOT.
O presidente americano também acusou a Espanha de impedir o uso de seu espaço aéreo e de bases militares durante a guerra contra o Irã, conflito que se arrasta desde o ano passado. “Eles não nos apoiam em nada”, disse Trump, reforçando a retórica de que os parceiros europeus devem compartilhar os custos da segurança coletiva.
Reação da União Europeia e próximos passos
A Comissão Europeia reagiu de imediato, afirmando que a política comercial é conduzida de forma conjunta pelos 27 Estados-membros e que qualquer medida unilateral contra um país do bloco será respondida. “A UE sempre protegerá suas empresas, trabalhadores e consumidores de tarifas injustificadas”, diz o comunicado. O bloco tem mecanismos para retaliar com tarifas proporcionais sobre produtos americanos, como ocorreu em disputas anteriores.
Apesar do anúncio estrondoso, não foram divulgados quais tarifas seriam aplicadas, nem o cronograma de implementação. A ordem de Trump, por ora, depende de regulamentação do Tesouro e pode enfrentar questionamentos no Congresso americano. A expectativa agora recai sobre a formalização da medida e a resposta coordenada dos 27 países da UE, que devem se reunir nos próximos dias para avaliar o impacto no comércio transatlântico.











