O BTG Pactual elevou nesta quarta-feira (8) a projeção para o dólar no fim de 2026 de R$ 4,90 para R$ 5,40, acima da mediana do mercado.
O banco atribui a revisão à postura mais conservadora do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, fator que tende a manter pressão sobre moedas de países emergentes. Para 2027, a projeção do BTG Pactual é de R$ 5,50 por dólar.
O contraponto está no Relatório Focus, compilado pelo Banco Central do Brasil: a mediana das estimativas para o dólar no fim de 2026 subiu de R$ 5,15 para R$ 5,20, abaixo dos R$ 5,40 projetados pelo BTG Pactual.
Projeção fica acima da mediana do Focus
A diferença entre os dois números é o ponto central para o mercado. O BTG Pactual passou a trabalhar com R$ 5,40 no fim de 2026, enquanto a mediana do Focus está em R$ 5,20. A projeção do banco, portanto, embute uma taxa de câmbio mais depreciada que a estimativa central coletada pelo Banco Central.
A sequência recente mostra que o Focus vinha oscilando dentro de uma faixa mais baixa. Em 18 de maio, o relatório apontava dólar a R$ 5,20 para o fim de 2026. Em 29 de junho, houve movimento de R$ 5,15 para R$ 5,20. Nesta quarta-feira, a revisão do BTG Pactual levou a estimativa própria do banco de R$ 4,90 para R$ 5,40.
As projeções de câmbio para 2026 no Focus flutuaram entre R$ 5,15 e R$ 5,30 ao longo do primeiro semestre de 2026, em um ambiente marcado por incertezas sobre a política monetária norte-americana e pelo cenário fiscal brasileiro.
A cautela com juros nos Estados Unidos já vinha aparecendo na cobertura econômica. Na terça-feira (7), o PIRANOT mostrou que a inflação esperada nos EUA subiu a 3,7%, dado que reforça a atenção de investidores ao ritmo de cortes de juros pelo Federal Reserve.
Câmbio mais alto entra no custo de preços e investimentos
Um dólar projetado a R$ 5,40 afeta expectativas porque encarece, em reais, produtos e insumos atrelados à moeda norte-americana. O efeito potencial aparece em importados, viagens ao exterior, componentes industriais e contratos de empresas que compram em dólar.
Para consumidores, a mudança não significa que o dólar chegará obrigatoriamente a R$ 5,40. Trata-se de uma estimativa de uma instituição financeira. Ainda assim, projeções desse tipo influenciam decisões de orçamento, compra de moeda, remarcação de preços e proteção cambial de empresas.
Para investidores, a divergência entre R$ 5,40 do BTG Pactual e R$ 5,20 do Focus sinaliza leitura mais conservadora sobre o real. Esse tipo de diferença pode alterar avaliações sobre renda fixa, Bolsa, fundos cambiais e ativos expostos a receitas ou custos em dólar.
O Banco Central acompanha essas expectativas porque o câmbio pesa na inflação e na formulação da política monetária pelo Comitê de Política Monetária. A revisão também entra no debate sobre juros no Brasil, já acompanhado pelo PIRANOT em junho, quando o portal mostrou que o Focus via juro maior mesmo com corte da Selic no radar.
Novas rodadas do Focus vão medir a reação do mercado
O próximo ponto de acompanhamento será a evolução das medianas do Focus nas próximas divulgações do Banco Central. Se a mediana se aproximar de R$ 5,40, a revisão do BTG Pactual deixará de ser uma estimativa mais distante e passará a refletir movimento mais amplo do mercado.
Também permanece sem detalhamento público, nos dados disponíveis, o efeito por setor da desvalorização cambial projetada pelo BTG Pactual. Por ora, o dado confirmado é a mudança da estimativa do banco para 2026, a projeção de R$ 5,50 para 2027 e a distância em relação aos R$ 5,20 do Focus.











