A caderneta de poupança registrou saída líquida de R$ 237,5 milhões em junho, uma desaceleração de 91% em relação aos R$ 2,6 bilhões retirados em maio, informou o Banco Central nesta quarta-feira (8).
Os depósitos somaram R$ 378,064 bilhões e os saques, R$ 378,302 bilhões, resultando no saldo negativo. O rendimento creditado no mês foi de R$ 6,36 bilhões, elevando o estoque total da poupança para R$ 1,021 trilhão.
Apesar da melhora em junho, o acumulado do ano segue negativo em R$ 39,36 bilhões, com retiradas líquidas de R$ 30,57 bilhões no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e de R$ 8,79 bilhões na poupança rural.
Desaceleração surpreende após meses de fuga
O resultado de junho contrasta com a sangria observada nos meses anteriores. Em maio, a saída havia sido de R$ 2,6 bilhões, e em junho de 2025, de R$ 2,1 bilhões. No acumulado de 2025, a poupança perdeu R$ 15,5 bilhões, o melhor resultado em quatro anos, mas ainda negativo.
A caderneta enfrenta concorrência de aplicações de renda fixa isentas de Imposto de Renda, como CDBs e fundos DI, em um cenário de juros elevados. A Selic, atualmente em 13,75% ao ano, torna a poupança menos atrativa, já que seu rendimento é limitado a 70% da taxa básica mais TR.
Enquanto a poupança reduziu as perdas, o mercado de ações também enfrentou saída de capital estrangeiro em junho, com retirada líquida de R$ 8 bilhões da B3, conforme mostrou o PIRANOT.
Estoque recorde e rendimento ajudam a segurar poupador
O saldo total de R$ 1,021 trilhão é o maior desde dezembro de 2022, quando a poupança atingiu R$ 1,03 trilhão. O rendimento de R$ 6,36 bilhões em junho foi o principal responsável pela recuperação do estoque, compensando parcialmente as retiradas.
A poupança rural teve entrada líquida de R$ 1,158 bilhão no mês, enquanto o SBPE registrou saída de R$ 1,40 bilhão. A diferença reflete a dinâmica do crédito rural, que continua aquecido, e a preferência de investidores urbanos por alternativas de maior liquidez.
Os números detalhados podem ser consultados no site do Banco Central.
O que esperar para os próximos meses
O Banco Central divulgará os dados de julho em agosto. A trajetória da poupança dependerá da manutenção da Selic e da inflação. Se os juros permanecerem altos, a caderneta deve continuar perdendo recursos, mas a forte desaceleração de junho sugere que o pior da fuga pode ter ficado para trás.
Analistas de mercado apontam que a estabilização das retiradas pode indicar uma recomposição da reserva de emergência das famílias, mas ainda não há dados oficiais que confirmem essa tendência.











