Um motim na prisão de Negombo, no Sri Lanka, matou ao menos 23 pessoas e deixou mais de cem hospitalizadas após confrontos entre detentos e agentes penitenciários. A rebelião ocorreu na noite de domingo (5) e levou ao envio da Força de Tarefa Especial, unidade de elite da polícia, para retomar o controle do presídio.
O balanço divulgado por autoridades locais nesta segunda-feira (6) indica uma das ocorrências carcerárias mais graves dos últimos anos no país. Entre as mortes inicialmente confirmadas estavam detentos e guardas penitenciários, enquanto feridos foram transferidos para atendimento no hospital de Negombo.
A causa imediata do motim não foi detalhada pelas autoridades do Sri Lanka. As informações conhecidas até agora apontam para confrontos dentro da unidade, mas o governo não apresentou uma versão completa sobre o início da rebelião, nem informou se a violência começou por disputa entre presos, protesto contra condições de detenção ou falha de segurança.
Negombo concentra tensão em sistema prisional superlotado
Negombo fica ao norte de Colombo, capital do Sri Lanka, e é conhecida como cidade portuária e turística. A prisão local já havia registrado tensões associadas à superlotação e à circulação de contrabando dentro da unidade, problemas recorrentes em um sistema penitenciário pressionado pela crise econômica e institucional do país.
O Sri Lanka atravessou em 2022 o colapso político que ficou conhecido como Aragalaya, uma onda de protestos contra a crise econômica, a falta de produtos básicos e o governo de Gotabaya Rajapaksa. A mobilização levou o então presidente a fugir do país e deixou marcas em áreas essenciais da administração pública, incluindo segurança, Justiça e gestão prisional.
Motins com dezenas de mortos costumam expor uma combinação de falhas: presídios acima da capacidade, controle interno frágil, escassez de agentes e demora do Estado em conter focos de violência. Em Negombo, a entrada da Força de Tarefa Especial mostra que a rebelião ultrapassou a capacidade de resposta ordinária da administração penitenciária.
Força especial permanece no presídio após a rebelião
Após a retomada da unidade, a prioridade das autoridades passou a ser separar detentos, garantir atendimento aos feridos e reconstruir a sequência dos confrontos. A dimensão do saldo — ao menos 23 mortos e mais de cem hospitalizados — transforma o episódio em teste para um Estado que ainda tenta recompor sua capacidade de gestão depois da crise de 2022.
O próximo passo é a divulgação, pelas autoridades do Sri Lanka, da lista oficial de vítimas e da explicação sobre a origem da rebelião. Até lá, o caso já pressiona o governo a responder por que uma unidade prisional próxima à capital terminou a noite sob intervenção de uma força especial.









