A Attivos Capital estima faturar R$ 3,5 milhões com precatórios em 2026. O valor representa alta de 150% sobre a receita projetada pela própria empresa para 2025, de R$ 2 milhões.
A meta foi apresentada em comunicado empresarial distribuído no fim de junho. A divulgação informa o número esperado para o próximo ano, mas não detalha a carteira atual da companhia, o volume de créditos negociados, o deságio médio aplicado nas operações nem a metodologia usada para sustentar a estimativa.
Fundada em 2013, a Attivos atua na intermediação de precatórios e também se apresenta como operadora no segmento de créditos tributários. Nesse tipo de negócio, empresas compram ou intermedeiam créditos reconhecidos pela Justiça contra o poder público, normalmente com desconto em relação ao valor de face, para antecipar dinheiro a credores que não querem esperar a fila oficial de pagamento.
Crescimento depende de deságio, prazo e risco público
A projeção de R$ 3,5 milhões ganha peso porque o mercado de precatórios combina oportunidade financeira com risco orçamentário. A rentabilidade de intermediadoras depende de variáveis como o preço pago ao credor original, o tempo até o recebimento do valor pelo ente público e a capacidade de União, estados ou municípios honrarem a fila de pagamentos.
Precatórios são dívidas do poder público reconhecidas em decisão judicial definitiva. Como o pagamento costuma seguir regras orçamentárias e cronológicas, credores podem vender esses direitos a empresas especializadas antes de receber do governo. O desconto aplicado nessa venda é justamente uma das principais fontes de margem para quem atua no setor.
No comunicado, a Attivos informa a ambição de crescimento, mas não separa quanto da receita viria de novas operações, ganho de margem, aumento da carteira ou créditos tributários associados. Essa distinção é relevante porque uma expansão de faturamento pode refletir tanto mais negócios fechados quanto mudança no perfil dos ativos negociados.
Meta coloca empresa em busca de escala
Se cumprir a estimativa, a Attivos acrescentará R$ 1,5 milhão à receita anual projetada entre 2025 e 2026. Para uma intermediadora de menor porte, o salto sugere uma estratégia de ganho de escala em um segmento que se tornou mais visível nos últimos anos, especialmente após mudanças constitucionais que reorganizaram o pagamento de precatórios federais.
A Emenda Constitucional 113, aprovada em 2021, alterou regras fiscais e de pagamento relacionadas a precatórios. Ao mexer no calendário e no tratamento dessas dívidas, a mudança ajudou a ampliar o interesse pelo mercado secundário, no qual créditos judiciais são negociados antes do pagamento final pelo governo.
O próximo teste para a Attivos será transformar a estimativa em resultado verificável. Por enquanto, a companhia divulga a meta de R$ 3,5 milhões para 2026, mas o comunicado não apresenta balanço auditado, histórico de cumprimento de projeções anteriores ou abertura dos contratos que sustentam a expansão prevista.










