segunda-feira, junho 29
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Economia

Selic a 14,25% encarece crédito e pressiona consumo e investimento em 2026

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Focus projeta IPCA de 4,80% em 2026, acima do teto da meta de inflação.
  • Banco Central manteve juro real neutro em 5% no cenário de referência.
  • Juros altos encarecem empréstimos, financiamentos e capital de giro.
  • Aplicações conservadoras ficam mais atraentes com a Selic elevada.
  • Fontes disponíveis não medem impacto direto em Piracicaba.

A taxa básica de juros em 14,25% ao ano mantém o crédito caro e restringe o espaço para novos cortes em 2026. A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada em 17 de junho, marcou o terceiro corte consecutivo desde março — mas o tom cauteloso do Banco Central indica que a trajetória de queda será lenta e limitada.

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O cenário que sustenta juros elevados ficou mais claro no Relatório de Política Monetária, publicado em 25 de junho. O Banco Central revisou a projeção de inflação para 5,2% este ano, acima do teto de 4,50% da meta, e elevou a estimativa de crescimento do PIB de 1,6% para 2%. O órgão manteve em 5% a taxa de juros real neutra usada como referência para a política monetária.

Mercado revisa apostas e projeta apenas mais um corte

A leitura do mercado acompanhou a cautela do BC. O Itaú BBA revisou para cima a projeção da Selic de fim de ano, de 13,75% para 14%, e passou a esperar apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto. O relatório, assinado pelo economista-chefe do banco e ex-diretor do BC, Mário Mesquita, avalia que a comunicação recente do Copom indica um “ciclo de calibração” diante do quadro inflacionário.

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O Relatório Focus, que consolida projeções de instituições financeiras, mostra IPCA projetado em 4,80% — também acima do teto da meta. A combinação de inflação persistente e juro neutro elevado reduz a margem para quedas mais expressivas da Selic. Para o câmbio, o Itaú passou a projetar dólar a R$ 5,30 no fim de 2026 e R$ 5,50 em 2027, ante R$ 5,15 e R$ 5,35 anteriores.

Crédito mais caro chega ao bolso e ao chão de fábrica

Com a Selic em 14,25%, o custo do dinheiro que chega ao consumidor permanece elevado em cartões, empréstimos pessoais, cheque especial e financiamentos. A taxa básica funciona como referência para bancos precificarem risco, prazo e inadimplência — o que significa juros maiores no varejo, mesmo quando a inflação dá sinais de arrefecimento.

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Para a indústria, o ponto sensível é o capital de giro. Empresas que dependem de crédito para comprar insumos, antecipar recebíveis ou financiar máquinas enfrentam custo financeiro maior enquanto a Selic permanece em patamar restritivo. Em Piracicaba, onde o setor industrial tem peso relevante na economia local, o efeito se traduz em decisões mais conservadoras sobre expansão e contratação.

A mesma taxa que pesa no crédito melhora o retorno de aplicações atreladas aos juros, como títulos públicos pós-fixados e fundos ligados ao CDI. Isso altera a escolha entre consumir, investir na operação ou manter caixa remunerado — uma equação que afeta tanto famílias quanto empresas.

Próximo sinal vem em agosto

O próximo encontro do Copom, marcado para agosto, será o termômetro do mercado. Se as projeções de IPCA continuarem acima de 4,50%, o espaço para queda mais intensa dos juros fica menor e a Selic deve encerrar 2026 próxima a 14%. O cenário depende ainda de fatores externos — como a guerra no Oriente Médio e a agenda protecionista dos Estados Unidos — e do ritmo dos estímulos fiscais do governo federal, que influenciaram a revisão do PIB pelo BC.


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