Mehdi Taremi, capitão da seleção iraniana, desabafou após a eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 e classificou o torneio como “um desastre”. O atacante criticou duramente a Fifa e o presidente Gianni Infantino pelos problemas logísticos enfrentados pela delegação durante toda a competição.
O empate por 1 a 1 com o Egito, na madrugada deste sábado (27), selou a eliminação iraniana no Grupo G. Nos acréscimos, o Irã chegou a comemorar o gol da classificação, mas o árbitro de vídeo anulou o lance por impedimento — episódio que ampliou a irritação da delegação com a condução do torneio.
“É um mundial desastroso. Um desastre. A Fifa tem que resolver todos os problemas aqui, mas, infelizmente, não resolveu nada desde o início”, disse Taremi em entrevista coletiva. O capitão revelou que Infantino visitou o vestiário após a estreia contra a Nova Zelândia e prometeu soluções, mas a fase de grupos terminou sem que o pessoal de logística da seleção chegasse ao local.
Base em Tijuana e restrições de visto
O Irã ficou sediado em Tijuana, no México, por causa das restrições de visto para os Estados Unidos — país-sede do torneio ao lado de México e Canadá. A escolha impôs deslocamentos constantes entre cidades-sede e comprometeu a rotina de preparação da seleção durante toda a primeira fase.
Taremi também reclamou das condições de treino e do tratamento recebido pela delegação. O atacante do Olympiacos disse ter a impressão de que a entidade queria ver o Irã eliminado, embora não tenha apresentado evidências de sabotagem. O técnico Amir Ghalenoei somou-se às críticas e cobrou a Fifa por condições equivalentes a todas as seleções.
Carta no vestiário e eliminação sob protesto
Após a eliminação, a seleção iraniana deixou uma carta aberta no vestiário agradecendo a hospitalidade e afirmando que “a honra estava acima da vitória”. O gesto encerrou uma campanha marcada por três empates na fase de grupos e pela sensação de que fatores externos pesaram mais que o desempenho dentro de campo.
A Fifa não se pronunciou oficialmente sobre as críticas de Taremi. As reclamações do Irã reacendem o debate sobre como garantir condições equitativas a seleções de países com restrições políticas no país-sede — questão que tende a acompanhar o restante do torneio.











