terça-feira, junho 23
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Economia

PIB da Argentina avança 2,3% no 1º trimestre e sinaliza recuperação do comércio com o Brasil

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A economia da Argentina cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026, de acordo com dados preliminares divulgados pela imprensa econômica nesta terça-feira (23).
  • Para o Brasil, segundo maior destino das exportações no Mercosul, o desempenho argentino é monitorado de perto.
  • Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, Javier Milei implementou um ajuste fiscal agressivo, com cortes de gastos e desregulamentação.
  • Quando o Brasil sentirá o efeito A próxima etapa é a publicação do relatório oficial do Indec, prevista para as próximas semanas.
  • O governo também aprovou, em maio deste ano, a extensão da jornada de trabalho para 12 horas — medida que o PIRANOT noticiou à época.

A Argentina registrou crescimento de 2,3% no Produto Interno Bruto no primeiro trimestre de 2026 — um dos primeiros sinais consistentes de recuperação econômica após a recessão que castigou o país em 2023 e 2024. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (23) e chega em meio ao ajuste fiscal promovido pelo presidente Javier Milei, com implicações diretas para o comércio com o Brasil.

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A Argentina é o segundo maior destino das exportações brasileiras no Mercosul. Durante os dois anos de crise severa, a contração da demanda do vizinho derrubou as vendas de autopeças, alimentos processados e máquinas agrícolas. Uma recuperação sustentada abre caminho para a retomada desse fluxo — mas os dados mensais de comércio exterior ainda não registram volumes consistentes de embarque para o mercado argentino.

O Instituto Nacional de Estadística y Censos (Indec) deve publicar nas próximas semanas o relatório oficial com a decomposição setorial do crescimento e a base exata de comparação — se a alta de 2,3% é sobre o trimestre imediatamente anterior ou sobre o primeiro trimestre de 2025. O dado completo vai permitir avaliar se o ritmo de expansão acelera ou perde força em relação ao final de 2025.

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O choque Milei e a saída da recessão

Javier Milei assumiu a presidência em dezembro de 2023 com um dos programas de ajuste fiscal mais abruptos da história argentina recente: cortes profundos no gasto público, desregulamentação de setores estratégicos e uma política cambial restritiva que gerou queda severa do consumo no curto prazo. A inflação, que atingiu patamares historicamente elevados durante a crise, começou a recuar ao longo de 2025. O crescimento de 2,3% no primeiro trimestre de 2026 é o primeiro dado trimestral a sugerir que a economia voltou a expandir após o choque.

Em maio deste ano, o governo argentino aprovou também a extensão da jornada de trabalho para até 12 horas, medida apresentada como parte do pacote de flexibilização das relações laborais e que encontrou resistência de centrais sindicais. A combinação de reformas estruturais com os primeiros sinais de crescimento reforça o argumento do governo de que o ajuste está produzindo resultados — ainda que o debate sobre os custos sociais do processo permaneça aberto.

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O que os exportadores brasileiros devem acompanhar

Para a indústria brasileira, o indicador decisivo não é apenas o PIB argentino, mas o volume de embarques mensais registrado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Até que esses números mostrem recuperação sustentada, qualquer projeção de retomada das vendas é preliminar. A publicação do relatório completo do Indec vai consolidar a série histórica e dar a comparação sequencial que falta — o passo necessário para calibrar com mais precisão as perspectivas do comércio bilateral nos próximos trimestres.


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