Donald Trump chamou Luiz Inácio Lula da Silva de “muito volátil” e disse não pensar no presidente brasileiro em entrevista atribuída ao site americano Axios, divulgada nesta sexta-feira (19). A fala ocorre poucos dias depois de os dois líderes se encontrarem à margem do G7, em uma conversa marcada por tensão em torno de tarifas e comércio.
Segundo informações divulgadas por veículos brasileiros, Trump afirmou ter visto um discurso de Lula antes de fazer a crítica. Em outro trecho atribuído à mesma entrevista, o presidente dos Estados Unidos disse que “não poderia se importar menos” com o brasileiro, formulação que elevou o tom político do episódio.
A declaração não veio acompanhada de anúncio oficial da Casa Branca contra o Brasil nem de medida econômica ou diplomática. Do lado brasileiro, Planalto e Itamaraty não anunciaram resposta formal nesta sexta-feira.
Comentário aumenta ruído entre Brasil e Estados Unidos
O comentário de Trump ganha peso porque chega em meio a uma agenda bilateral sensível. Lula tem criticado o protecionismo comercial e defendeu, no G7, que disputas econômicas não fechem canais de diálogo. Já Trump vem tratando tarifas como instrumento central de pressão sobre parceiros e adversários.
No encontro recente entre os dois presidentes, as tarifas americanas apareceram como ponto de atrito. O tema interessa diretamente a setores brasileiros expostos ao mercado dos Estados Unidos, como indústria, agronegócio e cadeias exportadoras.
A entrevista também foi relatada como uma conversa mais ampla sobre lideranças internacionais. Trump teria elogiado Xi Jinping, presidente da China, e Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, enquanto reservou a Lula uma avaliação negativa.
Governo brasileiro evita transformar fala em crise
Por ora, o episódio fica no campo político e retórico. A ausência de uma resposta formal brasileira indica que o governo tenta não transformar a frase em crise diplomática, especialmente enquanto comércio e tarifas continuam no centro da relação com Washington.
A fala, porém, expõe a dificuldade de manter uma agenda pragmática entre dois presidentes com estilos e prioridades opostas. Lula busca preservar canais multilaterais e comerciais; Trump opera em tom de confronto e costuma personalizar disputas externas.
Na prática, a relação Brasil-EUA segue condicionada menos à frase em si e mais às decisões que vierem depois dela: tarifas, reuniões bilaterais e eventuais sinais oficiais de Washington ou Brasília sobre comércio e diplomacia.











