O bitcoin voltou a perder força nesta quinta-feira (18) e passou a ser negociado perto de US$ 64 mil, em queda de cerca de 1,5% em 24 horas, depois que o Federal Reserve manteve os juros dos Estados Unidos entre 3,50% e 3,75% ao ano e reforçou a cautela contra a inflação.
A reação veio um dia depois da decisão do banco central americano e do discurso de Kevin Warsh, que indicou resistência a cortes rápidos enquanto a inflação seguir acima da meta de 2%. Para o mercado, a mensagem reduz a chance de alívio monetário no curto prazo e pesa sobre ativos de risco.
Criptomoedas costumam sofrer quando os juros americanos permanecem elevados porque títulos dos EUA passam a oferecer retorno maior com risco menor. Nesse ambiente, investidores tendem a reduzir exposição a ativos mais voláteis, como bitcoin, ações de tecnologia e outros papéis sensíveis ao custo do dinheiro.
Alta recente perde fôlego
A queda interrompe uma recuperação curta. Na segunda-feira (15), o bitcoin havia se aproximado de US$ 67 mil, embalado pela redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. Desde o fundo recente, a criptomoeda acumulava avanço de 12,7%, segundo dados de mercado.
O avanço, porém, dependia de uma leitura mais favorável sobre juros nos Estados Unidos. Com o Fed mantendo a taxa em patamar restritivo e insistindo na meta de inflação de 2%, parte dos investidores passou a rever apostas em ativos de maior risco.
Por que a decisão do Fed mexe com o bitcoin
O preço do bitcoin não depende apenas da demanda por criptoativos. A moeda digital também reage ao cenário global de liquidez. Quando o dinheiro fica mais caro nos Estados Unidos, há menos incentivo para operações especulativas e maior procura por aplicações consideradas defensivas.
Esse efeito se espalha para mercados emergentes. Para investidores brasileiros, a queda em dólar é só parte da conta: o resultado em reais também depende do câmbio no momento da compra ou da venda. Assim, a variação percebida no Brasil pode ser diferente do recuo de cerca de 1,5% registrado no mercado internacional.
A leitura predominante agora é que o bitcoin continuará sensível aos próximos indicadores de inflação, emprego e atividade nos Estados Unidos. Se esses números mantiverem o Fed em posição dura, a pressão sobre criptoativos tende a continuar; se apontarem desaceleração mais clara, o mercado pode voltar a precificar cortes de juros.
Mercado mira setembro
Contratos futuros monitorados pelo CME FedWatch indicavam 65,3% de probabilidade de alta na reunião de setembro. Essa projeção não é uma decisão oficial do Fed, mas mostra como investidores ajustam suas apostas conforme a comunicação do banco central americano muda.
Até a próxima reunião, o preço do bitcoin tende a oscilar conforme o mercado recalcula o caminho dos juros nos Estados Unidos. No curto prazo, a referência é a faixa de US$ 64 mil, que concentra a reação inicial à sinalização de juros altos por mais tempo.











