O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (18) que um grupo de 37 empresas de apostas ilegais movimentou até R$ 50 bilhões no país. A declaração veio no dia em que a Operação Conto da Sorte cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Ceará e São Paulo.
A ação foi deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte com apoio da Receita Federal. O alvo é um suposto esquema de plataformas de apostas que, de acordo com a investigação, atuariam fora das regras de autorização, fiscalização e tributação do mercado regulado.
A cifra citada por Durigan é uma estimativa preliminar de movimentação financeira das empresas investigadas. Ela não representa condenação, nem corresponde automaticamente a imposto sonegado. Ainda assim, dá a dimensão do desafio fiscal e regulatório enfrentado pelo governo em um setor que passou a integrar de forma mais direta a agenda de arrecadação da Fazenda.
Valor estimado supera em mais de cinco vezes a arrecadação anual das bets legais
Um dia antes, Durigan havia afirmado que a tributação das bets autorizadas rende cerca de R$ 9 bilhões por ano aos cofres públicos. A comparação com os R$ 50 bilhões atribuídos ao grupo investigado mostra a escala potencial de um mercado paralelo que opera à margem do sistema formal.
Na prática, a movimentação estimada das empresas sob investigação equivale a aproximadamente 5,5 vezes a arrecadação anual mencionada para as apostas reguladas. A diferença não pode ser lida como perda fiscal integral, porque faturamento, volume apostado e tributos devidos são métricas distintas. Mas o contraste ajuda a explicar por que a Fazenda trata as bets ilegais como problema de polícia, concorrência e arrecadação.
O mercado legal de apostas depende de autorização, identificação dos operadores, controle de meios de pagamento, recolhimento de tributos e cumprimento de regras de prevenção a fraudes. Quando plataformas atuam fora desse circuito, competem sem os mesmos custos regulatórios e reduzem a capacidade do Estado de acompanhar fluxos financeiros.
Investigação passa por loteria municipal no Rio Grande do Norte
A Operação Conto da Sorte também cita a Lotseridó, loteria municipal de Bodó, no Rio Grande do Norte, como ponto de conexão regional do caso. A loteria registrou crédito de R$ 4,6 bilhões em 2025, conforme informações divulgadas sobre a investigação.
O envolvimento de uma loteria municipal é relevante porque esse tipo de estrutura tem sido usado, em diferentes disputas regulatórias, como porta de entrada para operações de apostas em escala maior. No caso investigado, a suspeita é que empresas tenham usado arranjos locais para sustentar atividades de alcance nacional.
Os nomes das 37 empresas não foram divulgados pelas autoridades responsáveis pela operação. Por ora, a informação pública sustenta três pontos centrais: a dimensão financeira estimada, o número de empresas investigadas e o alcance interestadual dos mandados.
Fazenda mira evasão e concorrência desleal no setor de apostas
Para o governo, a ofensiva contra bets ilegais tem efeito direto sobre a política fiscal. A arrecadação do setor regulado entrou no cálculo de receitas federais, enquanto operadores clandestinos podem movimentar recursos sem o mesmo nível de tributação e rastreabilidade.
O impacto também recai sobre empresas autorizadas. Plataformas que seguem a regulação precisam cumprir exigências de cadastro, pagamento, publicidade, integridade e recolhimento. Operadores suspeitos de atuar ilegalmente podem oferecer apostas sem assumir parte desses custos, distorcendo preços, campanhas e canais de pagamento.
A próxima etapa concreta é a análise fiscal e financeira do material apreendido nos 14 mandados. A Receita Federal atua na identificação de fluxos e eventuais irregularidades tributárias, enquanto o Ministério Público do Rio Grande do Norte conduz a investigação criminal sobre o suposto esquema.











