quinta-feira, junho 18
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Economia

PF investiga suspeita de vantagens do Banco Master a Jaques Wagner

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Operação cumpre 18 mandados de busca na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal
  • Investigação mira possível relação entre vantagens e atuação legislativa favorável ao Banco Master
  • PF apura repasses de R$ 3,5 milhões a empresa ligada à mulher do enteado do senador
  • PT diz confiar em Wagner e apoiar as apurações, mas não comenta valores investigados

A Polícia Federal deflagra nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero e coloca sob investigação suspeitas de vantagens indevidas atribuídas ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, em um desdobramento do caso Banco Master.

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Os mandados são cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A nova etapa mira, entre outros pontos, a suspeita de que Wagner teria sido beneficiado com um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador e com repasses a uma empresa ligada a Bonnie de Bonilha, mulher de seu enteado.

A PF investiga se os benefícios teriam relação com atuação política favorável ao Banco Master no Congresso. A hipótese central envolve a chamada Emenda Master, proposta que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos para determinadas operações — mudança que interessava ao setor financeiro e poderia aliviar pressões sobre o banco.

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Além do imóvel, investigadores apuram repasses que somariam cerca de R$ 3,5 milhões à BK Financeira, empresa associada a Bonnie de Bonilha. Também entram no radar suspeitas sobre outros benefícios, como uso de jatinho e despesas com eventos. As suspeitas ainda não foram confirmadas judicialmente.

O PT saiu em defesa de Wagner. Em nota, a presidente do partido afirmou que o senador “é depositário de toda a nossa confiança” e disse apoiar as investigações. A manifestação não detalhou os valores atribuídos ao apartamento nem os repasses mencionados na investigação.

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Por que a operação atinge o centro do governo no Senado

O peso político do caso vai além da investigação criminal. Wagner é um dos principais articuladores do Palácio do Planalto no Senado e atua diretamente na costura de pautas econômicas e institucionais do governo. Uma ofensiva da PF sobre o líder governista aumenta a pressão sobre a base de Lula em um momento de disputa por agendas no Congresso.

O senador também é tratado no PT como nome relevante na política baiana. A investigação, portanto, atinge simultaneamente uma peça da articulação federal e um quadro de alto valor eleitoral para o partido.

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A Compliance Zero investiga fraudes e operações suspeitas ligadas ao Banco Master desde 2025. Em fases anteriores, a PF já havia mirado nomes próximos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e apurado movimentações financeiras que, na avaliação dos investigadores, poderiam indicar corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento indevido.

O que a PF procura nesta fase

Nesta etapa, os investigadores buscam documentos, registros financeiros e mensagens que possam indicar se houve promessa, oferta ou entrega de vantagens a Wagner ou a pessoas próximas. A suspeita sobre o apartamento de Salvador é um dos eixos da operação, ao lado dos pagamentos atribuídos à BK Financeira.

Como Wagner tem foro por prerrogativa de função, atos centrais da investigação passam pelo Supremo Tribunal Federal. O avanço da operação dependerá da análise do material recolhido nos endereços alvo dos mandados e de eventuais novas medidas autorizadas pela Corte.

Por ora, a PF trabalha com suspeitas. Não há condenação, e os valores citados integram linhas de investigação que ainda precisarão ser confrontadas com documentos, depoimentos e registros bancários. O próximo passo concreto é a perícia do material apreendido na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.