A APM Terminals inaugurou nesta sexta-feira (12), no Porto de Suape, em Pernambuco, o primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina. O projeto recebeu investimento anunciado de R$ 2 bilhões e amplia em 55% a capacidade de movimentação de contêineres do complexo portuário.
Na fase inicial, a estrutura tem capacidade prevista para movimentar até 400 mil TEUs por ano, medida usada no setor para contêineres de 20 pés. A cifra de R$ 2 bilhões atualiza estimativas anteriores, que apontavam investimento de R$ 1,6 bilhão durante a implantação do empreendimento.
A entrega coloca Suape em uma disputa mais agressiva por cargas no Nordeste e reforça a tentativa de reduzir a dependência de rotas concentradas em portos do Sudeste, especialmente Santos. O ganho de escala, porém, só se traduzirá em peso logístico se o novo terminal atrair armadores, rotas internacionais regulares e contratos recorrentes de exportadores e importadores.
A inauguração teve a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, em agenda oficial no complexo. O evento marca a conclusão de uma etapa iniciada com a pedra fundamental do projeto, lançada em junho de 2024.
Terminal amplia o peso de Suape na logística do Nordeste
O novo terminal chega em um momento de crescimento do complexo pernambucano. Suape movimentou 24,3 milhões de toneladas em 2025 e registrou avanço no início de 2026, com alta de 38,6% em janeiro e crescimento de 29% no primeiro trimestre.
O pano de fundo é um mercado portuário nacional de grande escala. Em 2025, os portos brasileiros movimentaram cerca de 1,4 bilhão de toneladas. Dentro desse universo, a ampliação de contêineres em Suape mira um segmento de maior valor agregado e mais sensível a previsibilidade, frequência de navios e custo logístico.
Para empresas instaladas em Pernambuco e em estados vizinhos, a mudança prática é a oferta de mais capacidade local para cargas conteinerizadas. Isso pode encurtar deslocamentos terrestres, aliviar custos de transporte e dar ao Nordeste uma alternativa mais forte para comércio exterior — desde que as rotas marítimas acompanhem a nova estrutura.
Eletrificação vira aposta ambiental e operacional
O diferencial do projeto é a operação 100% eletrificada, uma inovação relevante em um setor pressionado por metas de descarbonização e por clientes que cobram cadeias logísticas menos poluentes. A eletrificação de equipamentos reduz a dependência de motores a combustão dentro do terminal e pode melhorar a eficiência operacional da movimentação de cargas.
O pacote do empreendimento inclui 28 equipamentos da Sany, com desembolso de R$ 241 milhões. A presença desses equipamentos na operação é parte central da promessa de um terminal mais moderno, automatizado e alinhado à transição energética no setor portuário.
O avanço ambiental, por enquanto, está sustentado pelo desenho tecnológico do terminal. Metas quantificadas de redução de emissões e indicadores públicos de desempenho climático serão decisivos para medir, na prática, o tamanho do ganho ambiental da operação.
Desafio agora é transformar capacidade em rotas
A APM Terminals já atua no Porto do Pecém, no Ceará, e agora amplia sua presença no Nordeste com uma instalação de maior ambição em Pernambuco. A estratégia cria um eixo regional mais competitivo, mas não elimina o desafio de enfrentar a força de Santos, que concentra escala, frequência de serviços e uma rede consolidada de cargas.
Em novembro de 2024, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que o terminal poderia elevar em 40% o comércio internacional de Pernambuco. A projeção dá a dimensão política e econômica do projeto, mas dependerá da adesão de empresas, da regularidade das linhas marítimas e da velocidade de expansão da operação.
Com a inauguração, Suape passa a ter um ativo raro na infraestrutura portuária latino-americana: um terminal eletrificado, com R$ 2 bilhões investidos, 55% de aumento de capacidade e previsão inicial de 400 mil TEUs por ano. O próximo teste será comercial — converter a obra em navios, cargas e rotas permanentes.











