O governo Lula anunciou nesta sexta-feira (12) uma linha de crédito para entregadores de aplicativo financiarem motos, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas com juros de 12,5% ao ano. A medida mira trabalhadores do delivery que dependem do veículo como ferramenta de trabalho e hoje recorrem, muitas vezes, a crédito pessoal caro, cartão ou parcelamentos de loja para trocar ou manter o equipamento.
O requisito já informado é ter ao menos seis meses de cadastro em aplicativo de entregas. A linha tem alcance nacional e inclui tanto veículos motorizados leves quanto bicicletas elétricas, o que amplia o público potencial para entregadores que atuam em rotas curtas, centros urbanos adensados ou operações em que a moto não é a primeira opção.
A principal vantagem anunciada está na taxa. Os 12,5% ao ano ficam bem abaixo das modalidades tradicionais disponíveis para pessoas físicas. Em abril, a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 33,8% ao ano, o maior patamar da série histórica iniciada em 2011, de acordo com dados do Banco Central divulgados em maio.
Como a linha pode funcionar para o entregador
Na prática, a nova linha pode baratear a compra de um veículo usado no trabalho, mas ainda não permite ao entregador calcular a parcela. O governo informou a taxa, os tipos de veículos cobertos e o tempo mínimo de cadastro em aplicativo, mas ainda não detalhou o banco operador, o valor máximo financiável, o prazo de pagamento, a exigência de entrada, as tarifas e o canal de contratação.
Esses pontos são decisivos porque o custo final de um financiamento não depende apenas do juro nominal. Prazo mais longo, seguro obrigatório, tarifa de abertura de crédito ou exigência de entrada podem alterar o valor total pago. Por isso, a comparação mais segura para o trabalhador será feita quando a instituição financeira responsável liberar as simulações.
Mesmo com essa ressalva, a diferença de taxa é relevante. Linhas sem garantia, comuns entre trabalhadores informais, costumam cobrar juros muito superiores aos anunciados para o programa. O crédito pessoal não consignado aparece em patamar acima de 100% ao ano, enquanto o rotativo do cartão segue como uma das modalidades mais caras do mercado, com juros de várias centenas por cento ao ano.
O que já está definido
- Taxa de juros: 12,5% ao ano.
- Público-alvo: entregadores de aplicativo.
- Requisito informado: pelo menos seis meses de cadastro em plataforma de entregas.
- Itens financiáveis: motos, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas.
- Abrangência: nacional.
A inclusão de bicicletas elétricas é um ponto importante do desenho da política. Esse tipo de equipamento tem ganhado espaço entre entregadores que trabalham em áreas centrais, onde o deslocamento é menor, o estacionamento é mais difícil e o custo de combustível pesa no orçamento. Para quem usa moto, a linha pode servir para troca do veículo, regularização da ferramenta de trabalho ou migração para modelos mais econômicos.
O que ainda falta para contratar
A contratação ainda depende da publicação das condições operacionais. Sem essas regras, não há como saber se o crédito será oferecido por banco público, instituição privada conveniada ou plataforma específica. Também falta definir se haverá limite por trabalhador, exigência de comprovação de renda, análise de crédito diferenciada para informais ou cadastro integrado às empresas de aplicativo.
Para o entregador, o cuidado principal é não assumir financiamento antes de comparar o custo total. Uma taxa anual menor tende a reduzir a despesa financeira, mas a decisão deve considerar preço do veículo, manutenção, seguro, depreciação, autonomia da bateria no caso das bicicletas elétricas e renda média obtida nas entregas.
A medida também se encaixa em uma agenda mais ampla de crédito direcionado do governo para trabalhadores ligados à mobilidade. Em maio, Lula já havia anunciado uma frente de até R$ 30 bilhões em crédito para taxistas e motoristas de aplicativo financiarem carro novo, outra tentativa de usar financiamento subsidiado para renovar equipamentos de trabalho.
O próximo passo é a divulgação das regras de operação. Só depois disso os entregadores poderão simular parcelas, verificar documentação exigida e decidir se a taxa de 12,5% ao ano compensa frente às alternativas disponíveis no mercado.











