As 100 marcas mais valiosas do Brasil chegam a 2026 avaliadas em US$ 90,2 bilhões, uma alta de 14% em relação ao ano anterior. O avanço acrescenta US$ 10,8 bilhões ao valor combinado do ranking nacional da Brand Finance Brasil e mantém o Itaú na liderança pelo décimo ano consecutivo.
O resultado reforça o peso dos ativos intangíveis na disputa empresarial brasileira. Valor de marca não é faturamento, lucro nem valor de mercado da companhia: é uma estimativa de quanto a marca contribui para a força comercial do negócio, considerando fatores como reconhecimento, reputação, capacidade de gerar demanda e influência sobre decisões de compra.
A Brand Finance Brasil é responsável pelo levantamento Brand Finance 100, publicado anualmente. A consultoria informa seguir padrões internacionais de avaliação de marcas e ser credenciada pelo Institute of Chartered Accountants in England and Wales, entidade profissional de contabilidade da Inglaterra e do País de Gales.
Itaú sustenta domínio entre marcas brasileiras
A permanência do Itaú no topo pelo décimo ano seguido confirma a força do setor financeiro entre as marcas brasileiras de maior valor. Bancos tendem a ocupar posições altas nesse tipo de ranking porque combinam escala nacional, presença cotidiana na vida do consumidor, grandes bases de clientes e investimentos recorrentes em tecnologia, atendimento e comunicação.
A liderança doméstica também dialoga com a projeção internacional do banco. Em levantamento global divulgado em janeiro pela mesma consultoria, o Itaú apareceu como o único brasileiro entre as 500 marcas mais valiosas do mundo, sinal de que a marca segue competitiva fora da comparação apenas nacional.
Antarctica dispara e lidera alta percentual
Entre os destaques de crescimento, a Antarctica, marca da Ambev, registra a maior alta percentual do ranking brasileiro: 125%, para US$ 454 milhões. O salto chama atenção porque ocorre em um segmento que, no cenário global recente, enfrentou perda de valor de marcas em meio à moderação do consumo, pressão de custos e mudanças no comportamento dos consumidores.
No mercado de bebidas, marcas tradicionais costumam depender de presença forte em distribuição, memória afetiva, campanhas de grande alcance e capacidade de se manter relevantes em diferentes faixas de renda. Por isso, uma alta expressiva de valor indica mais do que reconhecimento publicitário: sugere melhora na percepção de força comercial da marca dentro de um ambiente competitivo.
Alta bilionária não chega automaticamente ao consumidor
Para empresas, uma marca mais valiosa pode pesar em negociações, licenciamento, expansão comercial, acesso a capital, parcerias e relação com investidores. Em um ano marcado por incerteza econômica global, guerras, tensões comerciais e volatilidade de custos, o crescimento de 14% sugere que parte das companhias brasileiras conseguiu preservar ou ampliar força competitiva.
Para o consumidor, o efeito é indireto. O ranking não significa queda de preços, aumento de salários, criação imediata de vagas ou mudança em tributos. A consequência prática aparece mais na competição: marcas fortes tendem a negociar melhor espaços de venda, sustentar lançamentos, proteger margens e manter presença mesmo quando a renda das famílias oscila.
A premiação do Brand Finance 100 está marcada para esta sexta-feira (12). Com os números já divulgados, o ponto central é que o conjunto das maiores marcas brasileiras entra em 2026 mais valorizado, com o Itaú consolidado no topo e a Antarctica como o caso de crescimento mais acelerado entre os destaques conhecidos.











