sexta-feira, junho 12
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Economia

Copasa levanta R$ 8,38 bi e Equatorial assume controle

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Demanda pela oferta chegou a 40 vezes o volume de ações disponível na operação
  • Equatorial passa a deter 30% do capital social da companhia de saneamento
  • Estado mantém ação especial com poderes específicos sobre decisões da Copasa
  • Privatização soma R$ 13,9 bilhões com a entrada anterior da Equatorial
  • Impacto da troca de controle nas tarifas de água e esgoto ainda não foi informado

A Copasa confirmou nesta sexta-feira (12) a venda de ações que movimentou R$ 8,38 bilhões e transferiu o controle da companhia para a Equatorial Energia. A oferta secundária saiu a R$ 49,03 por papel, valor acima do piso fixado para a operação, e encerra a principal etapa financeira da privatização da estatal mineira de saneamento.

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A Equatorial ficou com 114.075.921 ações, equivalentes a 30% do capital social da Copasa. O governo de Minas Gerais permanece com 5% da empresa e uma golden share, ação especial que preserva poderes específicos do Estado em decisões estratégicas. Na prática, a companhia deixa de ser controlada pelo poder público estadual e passa a ter comando privado em um dos maiores mercados de água e esgoto do país.

O preço final ficou R$ 1,80 acima do mínimo de R$ 47,23 por ação, referência validada pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais para a continuidade da venda. A demanda pela oferta chegou a cerca de 40 vezes o volume disponível, sinal de forte disputa dos investidores pelos papéis e de menor espaço para desconto na precificação.

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Somada à entrada anterior da Equatorial, de aproximadamente R$ 5,6 bilhões, a privatização alcança R$ 13,9 bilhões. O valor coloca a Copasa no centro do programa de desestatização de Minas e transforma a operação em um teste relevante para o setor de saneamento depois do novo marco legal, que ampliou a presença privada nos serviços de água e esgoto.

Estado recebe bilhões, mas tarifa ainda depende de regulação

Para o governo mineiro, a venda representa uma injeção bilionária de recursos em um Estado que há anos tenta reorganizar as contas públicas. A administração estadual defendia a desestatização como parte de uma agenda de redução de endividamento e de atração de investimentos para serviços de infraestrutura.

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O impacto para o usuário, porém, não se mede no dia da venda das ações. Tarifas de água e esgoto dependem de contratos, regras regulatórias, metas de investimento e decisões das agências responsáveis pelo setor. A troca de controle não autoriza, por si só, reajustes automáticos, mas abre uma nova fase de cobrança sobre expansão de rede, qualidade do serviço e cumprimento de metas de universalização.

A Copasa atende a maior parte dos municípios mineiros e opera em um Estado com mais de 20 milhões de habitantes. Por isso, a privatização ultrapassa a dimensão financeira: ela atinge um serviço essencial, afeta prefeituras, consumidores residenciais, empresas e a política pública de saneamento em Minas Gerais.

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Equatorial amplia presença fora do setor elétrico

A compra também reforça a estratégia da Equatorial de diversificar negócios para além da energia elétrica. Com atuação consolidada em distribuição, transmissão e geração, o grupo passa a controlar uma empresa de saneamento com escala estadual, receita recorrente e grande necessidade de investimentos em infraestrutura.

A oferta foi coordenada por BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of America, Citi e UBS BB. A presença de bancos de grande porte e a procura elevada pelos papéis ajudaram a sustentar o preço acima do mínimo definido para a operação.

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A disputa pela Copasa vinha sendo acompanhada de perto pelo mercado porque envolve um ativo raro: uma companhia de saneamento com capilaridade estadual e base ampla de consumidores. O resultado tende a servir de referência para futuras privatizações e concessões de empresas regionais do setor.

Ações passam a negociar na segunda-feira

O cronograma prevê o início da negociação das ações na segunda-feira (15). A liquidação física e financeira está marcada para terça-feira (16), quando ocorre a transferência efetiva dos papéis e dos recursos da operação.

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Depois da liquidação, a nova estrutura de controle passa a exigir definições sobre governança, plano de investimentos e compromissos operacionais. O governo mineiro ainda deve detalhar a destinação dos recursos levantados com a venda, ponto central para medir o efeito fiscal da privatização.

O próximo passo concreto é a liquidação da oferta. A partir dela, a Equatorial assume de fato a posição de controle, enquanto Estado, reguladores e consumidores passam a cobrar como a nova gestão vai transformar a operação bilionária em expansão de rede, melhoria de serviço e segurança tarifária.


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