Flávio Bolsonaro decidiu repetir em 2026 a tática adotada por Jair Bolsonaro contra Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 e concentrar a pré-campanha em ataques à economia e à segurança pública, segundo reportagem publicada pelo Estadão nesta quinta-feira (4).
Lula pretende tratar o senador como submisso a Donald Trump, enquanto Flávio responderá com críticas ao que classifica como falhas do governo petista nas duas áreas. A estratégia coloca a disputa em torno de temas de gestão, deslocando o embate ideológico para o terreno administrativo.
O campo governista também tenta associar Flávio ao debate sobre o Pix. Segundo a revista Exame, aliados do presidente vêm explorando a defesa do sistema de pagamentos como arma eleitoral contra o senador, em movimento batizado por interlocutores de “Tariflávio”, em referência ao tarifaço anunciado pelo governo americano.
A estratégia de 2022 no cálculo de Flávio
A aposta retoma o caminho trilhado por Jair Bolsonaro na disputa de 2022, quando deslocou o embate com Lula para temas de governo, especialmente economia e segurança. A reportagem da Veja descreve essa repetição como eixo central da ofensiva do senador.
O movimento ocorre enquanto o bolsonarismo tenta organizar a sucessão. Prestes a virar réu no Supremo Tribunal Federal, Jair Bolsonaro colocou em prática o que aliados chamam de “plano de sobrevivência” política, também segundo a Veja — cenário que ajuda a explicar a urgência por uma candidatura capaz de manter o campo mobilizado.
Há lastro eleitoral para a aposta. Levantamento da Quaest divulgado em 6 de maio comparou, em dez estados, a preferência de voto de Flávio Bolsonaro com o desempenho do pai em 2022. Segundo o diretor do instituto, Felipe Nunes, em declaração ao g1, o senador repete os números obtidos por Jair na largada da corrida presidencial.
Flancos abertos no caminho do senador
A tentativa de Flávio de se apresentar como nome moderado do bolsonarismo, porém, esbarra em episódios pessoais. Reportagem do Correio Braziliense aponta o caso Vorcaro, a investigação por rachadinha no antigo gabinete na Alerj e a relação de ex-assessores com milicianos como pontos que devem ser acionados pelo governo durante a campanha.
No tabuleiro imediato, Lula chega à largada com sete pontos de vantagem sobre o senador, em meio à escalada do tarifaço dos Estados Unidos. A disputa, portanto, tende a girar em torno de quem consegue capitalizar a próxima rodada do embate Brasil-EUA, com o Pix funcionando como vitrine simbólica do enfrentamento.










