quarta-feira, junho 3
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Brasil

Pix vira alvo de Trump e expõe disputa por mercado de pagamentos

Investigação do USTR mira sistema brasileiro e embasa tarifa de 25%; Lula reage e diz que medida se baseia em 'mentira'.

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • USTR abriu investigação em 2025 e vê possível desvantagem a empresas americanas de pagamentos
  • Governo brasileiro rejeita acusação e trata o Pix como política pública do Banco Central
  • Sistema de pagamentos instantâneos foi lançado em 2020 e reúne mais de 140 milhões de usuários
  • Dossiê citado não identifica empresas afetadas nem traz a íntegra do relatório americano

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos usado por mais de 140 milhões de brasileiros, virou o eixo de uma investigação comercial do governo Donald Trump que sustenta a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada em 1º de junho de 2026.

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O incômodo americano com o sistema brasileiro é o ponto central da disputa. Para o Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), o Pix funcionaria como barreira ao avanço de empresas estrangeiras de pagamentos no Brasil, ao oferecer transferências gratuitas, instantâneas e operadas pelo Banco Central. Especialistas ouvidos por veículos brasileiros avaliam que há confusão entre inovação tecnológica e barreira comercial na leitura do governo Trump.

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Um dos efeitos concretos já mapeados é o atraso na implementação do serviço de pagamentos do WhatsApp no Brasil, citado entre as práticas que teriam sido prejudicadas pela arquitetura do Pix. A investigação do USTR, iniciada em julho de 2025, também mistura o sistema de pagamentos a outras queixas, como pirataria e o comércio popular da rua 25 de Março, em São Paulo.

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Por que o Pix incomoda Washington

Lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, o Pix se consolidou como infraestrutura pública de pagamentos e reduziu o espaço de cartões, carteiras digitais e remessas internacionais — segmentos em que empresas americanas têm presença relevante. A tese do USTR é que essa estatura pública criaria desvantagem competitiva; o governo brasileiro responde que se trata de política pública de pagamentos, não de medida protecionista.

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A linha do tempo evidencia o aperto diplomático. A investigação começou em julho de 2025. Em 19 de agosto, os Estados Unidos aceitaram pedido de consulta do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas alegaram tratar-se de tema de segurança nacional. Em 7 de maio de 2026, Lula e Trump fecharam acordo para negociar o impasse. Menos de um mês depois, em 1º de junho, veio o anúncio da tarifa de 25%.

A reação do governo brasileiro foi imediata. Em 2 de junho, Lula afirmou que a medida foi baseada em “mentira” e resumiu a posição oficial com a frase: “O Pix é do Brasil”. O presidente também chamou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, de “latino-americano frustrado” ao comentar a articulação política em torno do tarifaço.

O que ainda falta para fechar a conta

O encaminhamento confirmado é a tentativa de negociação diplomática, com base no acordo de 7 de maio. O ponto sensível é que a proposta tarifária foi anunciada antes da divulgação pública de um relatório completo que detalhe a base técnica da acusação contra o Pix.

Três pontos seguem sem publicação oficial: a íntegra do relatório do USTR, a lista das empresas americanas concretamente afetadas e o calendário de eventual aplicação da tarifa de 25%. Enquanto esses documentos não vêm a público, a acusação permanece como alegação do governo Trump — e não como fato jurídico estabelecido em painel da OMC ou em decisão administrativa americana.